PODEROSAS E PERIGOSAS Sem ter consciência dos seus atos - e freqüentemente em nome do amor - muitas mães exercem uma enorme influência e podem causar efeitos devastadores na vida futura de seus filhos
POR CAROL FREDERICO ILUSTRAÇÕES: MG/STUDIO

Às vezes ela alega amar tanto que até sufoca. Controla cada telefonema, cada amizade, o horário de chegar em casa - não importa quantos anos o filho tenha, não importa se mãe e filho não moram mais juntos. Outras vezes, são mães tão ausentes ou imaturas que você chega a perguntar: "Quem é a mãe, ela ou a filha?". Algumas também podem ser extremamente ciumentas, do tipo que faz chantagem emocional ou melodrama. Podem ser ainda agressivas, esbravejando pela casa por qualquer coisa, ou então excessivamente passivas. Não importa. O fato é que o modo de ser das mães influencia diretamente a vida dos filhos para toda a vida - seja em suas atitudes no dia-a-dia, seja no modo como agirão com seus próprios filhos no futuro.
MENINOS E MENINAS
"A relação com os pais tem papel fundamental no desencadeamento de muitos processos psíquicos", explica Mara Aparecida Alves Cabral, professora associada de psiquiatria do Departamento de Ciências Médicas da Unicamp, Universidade Estadual de Campinas. "Manifestações patológicas de quadros neuróticos, histéricos, processos de ansiedade e de angústia são decorrentes muitas vezes da falta ou do excesso dessas figuras em nossas vidas." Em vários desses casos, a mãe acredita que age por amor, no melhor interesse de seus filhos, mas não tem, com certeza, consciência do mal que está causando.
Por outro lado, a mãe é o primeiro objeto de amor tanto para os meninos quanto para as meninas. E a finalidade de boa parte do filhos, homens ou mulheres, será simplesmente se esforçar para contentá-las. Uma criança superprotegida, por exemplo, será um adulto inseguro diante dos obstáculos da vida. Da mesma forma, uma mãe muito rígida pode ter filhos mais rebeldes do que o necessário, pois eles terão de se impor mais para se livrarem de seu domínio. De acordo com a professora Mara, no caso de crianças que testemunham a violência do pai contra a mãe, elas são suscetíveis de adotarem essa mesma atitude quando adultas. Esses filhos aprendem que a violência dos homens contra as mulheres é um comportamento aceitável e normal para resolver os conflitos familiares, sem que o culpado sofra nenhuma conseqüência.
Os meninos podem, portanto, reproduzir o ciclo de violência em suas relações, imitando mais tarde o comportamento do pai. Já as meninas costumam estabelecer na idade adulta relações com homens violentos, o que mostra que elas conhecem poucos meios de se libertarem destas situações. Mara acrescenta que problemas de identidade sexual, muitas vezes, são conseqüência de pais ou mães ausentes, o que faz com que uma das partes acabe ocupando um duplo papel, valorizando-o mais do que o outro. "Mas muitas crianças e adolescentes acabam desenvolvendo recursos psíquicos para se defenderem dessas conseqüências na fase adulta", acredita.
As mães influenciam os meninos e as meninas, mas é sobre as filhas mulheres que elas exercem maior influência: isso porque as mães são para as garotas modelos de identificação. Ou seja, a mãe é o modelo de mulher para a filha, quer ela queira, quer não. Sandra Reishus, autora do livro Putz, virei a minha mãe!, define as semelhanças entre mãe e filha e as qualidades e características que a mãe passa para ela como um gene-mãe, que está sempre sobre o ombro da filha, interferindo em áreas de sua vida que não funcionam como deviam. Segundo a autora, as informações do gene-mãe estão relacionadas com três áreas da vida: relacionamento, sexualidade e envelhecimento.
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