U MADUREIRA O ator e músico SÉRGIO LOROZA
experimenta a fama conquistada com a televisão
sem deixar de conciliar as duas carreiras e
empenhando seu trabalho em causas sociais

Sérgio Loroza nasceu prematuro, mas desde que deixou a incubadora e subiu pela primeira vez o Morro de São José, no subúrbio carioca de Madureira, não parou mais de crescer e de aparecer. "Fui Serginho só quando nasci. A partir daí passei a ser Serjão. Comecei um trabalho de engorda que não parou até hoje", diverte-se o dono de exagerados 180 quilos, acondicionados em 1,83 metro de altura. Sim, ele chama a atenção por onde passa, mas já se vai longe o tempo em que marcava presença só pelo seu tamanho. Hoje, ele chama a atenção menos pela circunferência do que pela competência como músico e ator. A popularidade mesmo, porém, só veio com o bem-humorado, mulherengo e um tanto mau-caráter dono da agência de empregos do seriado A diarista, da Rede Globo, todas às terças-feiras no ar.
Para chegar onde está agora, foi com a cara e a coragem. Serjão estudou Química na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro durante dois anos, foi auxiliar técnico de operações e promotor de vendas. Nos anos 90, cheio de talento para dar, mas sem nenhum incentivo da empresa em que trabalhava, deixou o emprego para apostar no sonho de ser artista. Apoiado no trinômio capacidade-voracidade-sorte, tornou-se ator, com experiência em TV, teatro, cinema e músico apaixonado pelo som pop mundial e no momento está em contagem regressiva para lançar o seu primeiro CD solo. No palco ou nas telas, os personagens de Serjão normalmente arrancam gargalhadas. Carregam muita energia positiva emprestada pelo ator, que chegou aos 39 anos de idade cultivando perseverança e bom-humor.
"VIVA A UTOPIA"
A infância na comunidade carente lhe revelou as faces da pobreza e da violência, das quais ele teve a dádiva de retirar apenas a experiência de vida. "De onde eu vim muitos amigos já morreram ou estão presos", conta. "Não me considero em nada melhor do que eles. Só tive a sorte de ter uma família me apoiando, de nascer com um dom e de poder desenvolvê-lo", acrescenta. "Eu me tornei artista para revolucionar e quero servir de bom exemplo. Não me conformo com o mundo como está. Desejo ver a mesma proporção de negros e brancos nas escolas e nas platéias de teatro. Viva a utopia."
Apesar dos passos trilhados pela Química e pelas vendas, o pendor para as artes vem de bem antes, ainda garoto. Já no início dos anos 80 ele estudava violão e pouco tempo depois entrou para o grupo de teatro da Igreja de Santo Sepulcro, em Madureira. "Em 1985 fiz a minha primeira peça amadora", relembra. "Subi ao palco antes mesmo de assistir a um espetáculo." Foi assim que de grupo em grupo, de peça em peça, que a bola-de-neve artística se avolumou até chegar a participações e pequenos papéis em espetáculos como Cabaré Brasil e Obrigado, Cartola!, além de longas-metragens como Orfeu, Bossa nova e Carandiru, sem contar minisséries, programas humorísticos e novelas da Globo.
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