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  A trajetória de Ronaldinho
Conheça a carreira do astro da seleção e leia o bate-bapo dele com a Raça

Nascido no Rio Grande do Sul, de família humilde, Ronaldinho Gaúcho viveu até os 6 anos de idade no bairro pobre de Vila Nova em Porto Alegre. Sua infância, segundo o craque, foi com muitos amigos, muito futebol, e a família sempre muito unida. "Tive uma infância muito feliz. Tenho muita saudade das peladas com os amigos, daquelas de jogar de pés descalços, no campinho perto de casa". Ele vem de uma família tradicionalmente futebolística, em que seu pai e irmão eram jogadores de destaque. Desde pequeno jogava com os amigos, nos campinhos de areia do bairro.

As coisas começaram a melhorar quando Assis, seu irmão mais velho, recebeu uma casa como prêmio pelo novo contrato assinado com o Grêmio. O mesmo prêmio do reconhecimento do talento de Assis se transformaria em motivo de tristeza alguns anos depois, em janeiro de 1989, quando acabou marcado como local da morte precoce do pai de Ronaldinho, João da Silva, que passou mal, ao cair na piscina vazia, bateu a cabeça e faleceu aos 41 anos quando craque tinha apenas oito anos de idade.

Confira as fotos
     

O trauma da perda uniu ainda mais a família e foi superado pela dedicação de dona Miguelina, mãe do jogador para quem foi "mãe e pai ao mesmo tempo", revela Ronaldinho. Genética à parte, parecia perfeitamente natural mais um craque na família Assis. O craque começou sua carreira no Grêmio de Porto Alegre aos 7 anos. Dez anos depois ele já jogava profissionalmente. "Meu pai sempre me incentivou assim como meu irmão Roberto que jogava no Grêmio". Sua estréia em campo foi no dia 17 de janeiro de 1998 em um amistoso onde a equipe venceu de 3 X 0 o Serrano.

Pelo tricolor, ele disputou 114 partidas e marcou 568 gols. Foram dois títulos, ambos em 1999: Campeonato Gaúcho e Copa Sul. No Estadual foi o artilheiro com 15 gols. Mas foi durante a Copa América nesse mesmo ano que ele se consagrou, marcando um gol na goleada contra a Venezuela (7 a 0) onde deu um chapéu no zagueiro e chutou forte no canto do goleiro. O jogador brasileiro fez com que o seu nome fosse internacionalmente conhecido, entre os anos de 1997 e 2001, quando ganhou seu primeiro campeonato no Campeonato Mundial Sub-17 de 1997 pelo Brasil e foi campeão sul-americano e mundial no Egito, em 1997.

Ao voltar, virou titular do Grêmio e brilhou nas finais do Campeonato Gaúcho de 1999, quando fez o gol do título contra o Internacional, o arqui-rival do Grêmio, além de ter feito dribles maliciosos sobre o tetracampeão Dunga. Essa final foi decisiva para sua convocação à Seleção brasileira pelo então técnico Vanderley Luxemburgo. Era junho de 1999, quando Ronaldinho Gaúcho estreou na seleção brasileira no jogo contra a Letônia. O PSV Eindhoven já havia levado Romário e Ronaldo e rumo ao sucesso na Europa. Cabia a Ronaldinho Gaúcho a tarefa de seguir os mesmos passos dos craques quando o clube francês Paris Saint-Germain fez  uma proposta de 7 milhões de euros pelo jogador.

Mas, com o craque no time, o Grêmio havia aumentado seu número de camisas, ingressos e camarotes, então recusou a proposta assim como também recusou posteriormente as propostas de empresários italianos de R$ 60 milhões e de R$ 75 milhões do Leeds United. O Grêmio conseguiu segurar o craque até 2001. Como o contrato ia só até fevereiro, a família decidiu que estava na hora de ir para a Europa. As propostas continuavam, o time gaúcho queria mantê-lo clube, colocando até uma faixa no Olímpico (estádio do Grêmio) dizendo que o craque não estava à venda. Sem o aval do time, Ronaldinho Gaúcho foi assim mesmo para o Paris Saint-Germain e o Grêmio não ganhou nem um centavo por isso.  

Ronaldinho Gaúcho foi visto como traidor, inclusive pela torcida e precisou aguardar o fim da batalha judicial entre o clube brasileiro e o clube francês, para poder voltar a jogar. Finalmente, a FIFA determinou que o  PSG teria que pagar 4,5 milhões de euros pelo jogador ao Grêmio de Porto Alegre, pelo passe do jogador. Na Copa do Mundo de 2002, Ronaldinho teve relevância na conquista do pentacampeonato ao marcar um belo gol de falta contra a Inglaterra na vitória de 2 a 1 do Brasil. Após o gol, o craque fez uma falta grave em um jogador inglês e foi expulso de campo, não podendo participar do na semifinal contra a Turquia.

Ao final da Copa do Mundo, ele retornou para mais uma temporada no PSG onde não conquistou títulos, mas  deixou a torcida francesa encantada com o seu futebol. Após algumas negociações, e levando em conta a vontade do jogador em atuar no solo espanhol, após duas temporadas no clube francês, PSG, ele foi vendido por 27 milhões de euros, ao FC Barcelona da Espanha, o time catalão, por cinco anos. Com sua timidez e simpatia, logo foi feito ídolo da torcida, e em seu primeiro ano no time ganha o título da Copa Catalunha marcando 15 gols no campeonato. Ao chegar ao Barcelona, Ronaldinho percebeu logo que sua vida nunca mais seria a mesma. No estádio Camp Nou, foi recepcionado por 25 mil pessoas.

Apenas Maradona havia tido uma recepção tão grande. "Fui muito bem recebido aqui na Espanha e não tive muitas dificuldades. Me sinto em casa", diz ele. O craque brasileiro retribuiu o carinho colocando o Barça no mapa do futebol mundial, conquistando o título espanhol em 2004/2005 e fazendo uma ótima campanha na Liga dos Campeões. Nesta temporada atual está perto de levar o time ao bi nacional e europeu. O astro da seleção brasileira é o principal ídolo do Barcelona e parece estar pronto para jogar na Copa da Alemanha um futebol ainda melhor do que o apresentado na conquista do penta em 2002.

O mundo espera de Ronaldinho Gaúcho uma atuação brilhante, irretocável. Mas o craque afirma que na verdade ninguém ganha nada sozinho. "Se ganharmos, será graças ao grupo e a união dos jogadores e comissão técnica". O jogador brasileiro desfruta hoje de uma unanimidade no futebol mundial e além da torcida do Barcelona, que o venera, coleciona fãs de todo o universo futebolístico, principalmente entre ex-craques, como Pelé e Diego Maradona. Veja a seguir uma parte da entrevista que Ronaldinho Gaúcho concedeu com exclusividade à repórter Sonia Nascimento, da Raça.

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