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  Saiba mais sobre as opiniões de Carlos Alberto, o capitão da seleção tricampeã de 70


Sua imagem levantando a taça Jules Humet, ao final da Copa de 70, no México, é uma das mais emocionantes da história do futebol brasileiro. Porque depois de tantas outras conquistas e craques, a seleção de 70 continua sendo, para muitos, o retrato da genialidade do nosso futebol?
Eu penso que é o fato de aquela seleção ter sido um time excepcional. Um time do qual até hoje as pessoas lembram, não só no Brasil, que é reverenciado mais no exterior que aqui no Brasil. Qualquer pesquisa que se faz lá fora para se escolher qual a melhor seleção de todos os tempos, a eleita é a seleção de 70. Aqui no Brasil, nós tivemos, depois do tri, a conquista, em 1994, nos Estados Unidos, que foi o tetra, mas da qual pouca gente fala, no Brasil e no exterior. Em 2002, o que valeu foi a conquista do penta, mas não que tenha sido uma seleção que maravilhasse o mundo como as pessoas, ainda hoje, acham que a seleção de 70 fez. Além de tudo, naquela conquista, na minha opinião, contou muito o fato de a gente ter tido na equipe o Pelé.

Eu joguei ao lado do Pelé, 12, 13 anos, entre seleção, Santos e o Cosmos de Nova Iorque, e posso, melhor que ninguém afirmar a condição maravilhosa do Pelé como jogador. Então a seleção de 70 ainda teve essa vantagem de a gente contar com aquele que foi o maior jogador de todos os tempos. Pelé foi para a Copa do Mundo sabendo que era a última que ia disputar. Já havia ganho duas, em 58 e 62, e se preparou para ajudar a seleção brasileira a ganhar o tricampeonato. A seleção de 70 teve uma performance como poucas: o Brasil ganhou, pela primeira vez na história do futebol, todos os jogos das eliminatórias e emendou ganhando todos os jogos da Copa do Mundo. Uma coisa inédita. Tudo graças, primeiro ao Pelé, que foi primordial e depois, graças a outros grandes jogadores, como Gérson, Tostão, Jairzinho, também numa fase brilhante.

O senhor foi considerado pela Fifa, no ano de 2000, um dos maiores jogadores do século XX. O povo brasileiro lhe demonstra esse mesmo reconhecimento?
Não sei. Eu fui considerado, em 1998, o melhor jogador na posição de lateral direita do século. Posteriormente, há um ou dois anos, recebi o troféu de um dos cem maiores jogadores dos cem anos da Fifa. Então, acabou um século, entra outro e até hoje eu sou apontado como o melhor lateral de direita que já teve no futebol. Eu penso que se eu tivesse nascido europeu, teria uma outra condição dentro do futebol. Porque aqui no Brasil, infelizmente, as condições que se dão a um ex-grande jogador de futebol, alguém que realmente fez pelo esporte brasileiro, não é aquilo que a gente vê na Europa.

Quais as diferenças?
Só pra te dar um exemplo: a maioria dos grandes ex-jogadores do futebol europeu são aproveitados em cargos de direção. Não só dos clubes, mas das seleções. E aqui no Brasil, à exceção do Zagalo, que é aproveitado até hoje na CBF, não tem nenhum outro grande jogador que teve essa chance. Ainda nesse aspecto: jogadores campões do mundo que são hoje treinadores, quem é que se tem aí? Tem o Leão, no São Paulo, e eu, que prossigo, de vez em quando, trabalhando como treinador. Não tem mais ninguém. Conheço muitos ex-jogadores que foram campões do mundo e que estão aí buscando a oportunidade de serem treinadores mas, infelizmente, a chance não lhes é dada.

O senhor defende, inclusive, que um ex-jogador deva receber uma aposentadoria.
Eu acho, porque quem fez alguma coisa pelo país, e nós fizemos, deveria merecer alguma coisa especial. Quando nós vemos hoje no nosso país, políticos que nada fizeram e recebem aposentadoria. Há aqueles que mesmo cassados, afastados da vida pública por atos de corrupção, estão aí usufruindo dela. Eu não vejo um único jogador de futebol que tenha direito a uma aposentadoria especial. Acho que deveria, principalmente porque nós ganhamos uma Copa do Mundo e prosseguimos jogando. Eu estou no meio do futebol há 46 anos - fui garotinho para o Fluminense - sem nenhum tipo de aposentadoria.

Se eu não trabalhar muito e guardar aí um dinheirinho eu estou roubado, como 99,9% dos jogadores que fizeram alguma coisa pelo nosso país. O que acontece no Brasil é o seguinte: os presidentes da república, quando o Brasil é campeão, ficam doidos para receber os jogadores na rampa do Planalto. Mas depois não fazem nada, não se preocupam com nada. Nunca chamaram até o presidente do sindicato, os capitães da seleção para saber se tinham alguma reivindicação que beneficiasse a classe. Ou pelo menos aqueles que foram campeões do mundo.

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