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  DIVERSIDADE, UM VALOR A SER CULTIVADO PELAS EMPRESAS
Quanto mais alto é o cargo numa grande empresa, mais difícil será encontrar uma mulher ou um negro a ocupá-lo

POR ODED GRAJEW *

O Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, em parceria com o Ibope Opinião, está lançando neste mês de abril a terceira edição da pesquisa "Perfil Social, Racial e de Gênero das 500 Maiores Empresas do Brasil e Suas Ações Afirmativas", que conta com o apoio da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV-Eaesp), do Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (Unifem), do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Tomando como base a evolução da edição de 2001 para a de 2003, é possível dizer que, em 2005, o presidente ou diretor típico das grandes empresas do Brasil continua sendo um homem branco, com mais de 45 anos, curso superior, mais de dez anos de casa e, provavelmente, um curso ou estágio no exterior.

Trata-se de um perfil muito distante das características do brasileiro médio, o que indica que a igualdade de oportunidades é um ideal ainda longínquo, o qual, para tornar-se realidade, irá demandar um imenso esforço das empresas e de toda a sociedade. Quanto mais alto é o cargo numa grande empresa, mais difícil será encontrar uma mulher ou um negro a ocupá-lo. De acordo com os resultados da edição de 2003 da pesquisa, as mulheres eram apenas 9% do quadro executivo, 18% dos gerentes, 28% dos supervisores e chefes de seção e 35% da totalidade dos funcionários.

A situação dos negros nas empresas é ainda mais desigual que a das mulheres. Segundo o levantamento de 2003, eles compunham apenas 23,4% do total de funcionários, 13,5% do quadro de supervisores, 8,8% da gerência e 1,8% do quadro executivo. A posição da mulher negra na pesquisa é a mais desfavorecida. Havia apenas 372 negras entre as 6.016 mulheres no quadro de gerência e, das 339 mulheres em diretoria, apenas três eram negras. Outro indicador importante diz respeito às não-respostas à pergunta sobre cor ou raça dos funcionários nos quatro níveis hierárquicos, que oscilaram entre 23% e 27%.

A SUPERAÇÃO DAS DIVERSAS FORMAS DE DISCRIMINAÇÃO NO BRASIL DEVE SER UM COMPROMISSO DA SOCIEDADE, MAS AS EMPRESAS TÊM UM PAPEL PREPONDERANTE

Isso indica que pode haver certa dificuldade nas empresas para enfrentar a questão racial ou que elas entendem que essa discussão ainda não faz parte das suas agendas. Por outro lado, a pesquisa demonstrou que parte das empresas já está tomando consciência da situação, comprovando o engajamento cada vez maior do setor empresarial brasileiro nas práticas de responsabilidade social. Entre as medidas que as empresas podem adotar em favor da diversidade estão: estabelecer políticas de recrutamento, promoção e remuneração que privilegiem mulheres, negros e outros grupos sociais que costumam sofrer discriminação e estejam sub-representados em seus quadros; favorecer a transposição de barreiras hierárquicas por meio de programas de integração que assumam o compromisso de tratar a diversidade como um valor que deve ser cultivado todos os dias; e orientar as campanhas de publicidade e marketing da empresa pelos princípios da diversidade.

A superação das desigualdades, dos preconceitos e das diversas formas de discriminação deve ser um compromisso da sociedade. Entretanto, as empresas têm um papel preponderante nesse processo. Somos um país diverso e essa é uma de nossas grandes qualidades. Trazer essa riqueza para dentro das organizações, investindo no desenvolvimento das pessoas e proporcionando condições efetivas de progresso profissional, é promover justiça social e ajudar a construir um país melhor para todos.

* Oded Grajew é presidente do Conselho Deliberativo do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, presidente do Comitê Brasileiro do Pacto Global; idealizador do Fórum Social Mundial; idealizador e ex-presidente da Fundação Abrinq (período 1990-1998); membro do Conselho de Desenvolvimento Social e Econômico; ex-assessor do Presidente da República (2003)

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