ATRÁS DAS CÂMERAS Depois do sucesso cada vez maior nas telas, os negros começam a ocupar postos importantes também nos bastidores do cinema
POR EDUARDO SILVA FOTOS: KRIZ KNACK

"SEMPRE
TENHO PROPOSTAS. CONHEÇO E VEJO VÁRIOS NEGROS ATUANDO NA ÁREA"
JEFERSON LINO, OPERADOR DE VÍDEO ASSIST
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Nunca se viram tantas caras pretas no cinema brasileiro - da mesma forma
que jamais se produziram tantos filmes de alta qualidade no país. Longe
do velho estereótipo de papéis subalternos, os atores negros vêm ocupando
um espaço cada vez maior nas telas. Essa visibilidade, porém, esconde
outro fenômeno tão inusitado quanto dissimulado: a discreta, mas crescente
presença de afro-descendentes nos bastidores. O roteirista Paulo Lins
e o diretor Joel Zito Araújo são os exemplos mais visíveis e bem-sucedidos
de uma geração que está ajudando a mudar não só a face, mas também a alma
do cinema nacional.
"Procuro transmitir o maior número possível de informações a respeito
de um determinado assunto a fim de que todos tenham elementos suficientes
para refletir mais sobre a causa que abraço", afirma Paulo, autor do premiado
livro Cidade de Deus. "Essa é a proposta da arte, alimentar o
espírito crítico que há dentro de nós." O mesmo tipo de trabalho, quase
uma missão, é o que se vê na obra de Joel Zito. Seu filme Filhas do
vento, por exemplo, apresenta o maior número de atores negros em
papéis principais de que se tem registro. "Meus objetivos são políticos,
ou seja, promover a auto-estima do afro-descendente e o orgulho de ser
negro", diz Joel. "E também busco vários temas correlatos, como o papel
da mídia na manutenção do racismo e, no meu novo projeto, as relações
entre o corpo, o negro e a indústria do turismo sexual na Bahia."
Na trilha de nomes como Paulo Lins e Joel Zito seguem outros profissionais,
como o paulista Jeferson Lino, que trabalha como operador de vídeo assist
desde 1995, quando deixou de ser bancário e entrou em uma pequena produtora
de vídeo em São Paulo, onde acompanhava o trabalho de documentários, comerciais
e outras produções. Como gostou dos bastidores, três anos mais tarde,
em 1998, resolveu investir na carreira e saiu à caça de cursos específicos
como as oficinas de cinema que dividia com os compromissos de gravação
nos mais diferentes locais.

"MEUS
OBJETIVOS SÃO POLÍTICOS, OU SEJA, PROMOVER A AUTO-ESTIMA E O ORGULHO
DE SER NEGRO"
JOEL ZITO ARAÚJO, DIRETOR
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