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  EU SÓ QUERO NAMORAR
Na era dos relacionamentos passageiros, da aceitação social de uniões sem papel passado, da facilidade do divórcio e até do sexo virtual, ainda existem homens e mulheres que escolhem passar vários anos com a mesma pessoa e adiar ao máximo o casamento

POR MÔNICA COSTA
ILUSTRAÇÃO: ERIKA ONODERA
FOTOS: KRIZ KNACK

A recepcionista Roberta Souza Neves e o professor de Educação Física Aílton Roxo namoram há sete anos. A tia de Roberta era aluna de Aílton e patrocinou a aproximação. Depois de um período de amizade, começou o namoro. "No começo eu era muito ciumenta, a gente brigava muito, não sabia o quanto ele gostava de mim", relembra. O relacionamento só começou a amadurecer quando Roberta, hoje com 24 anos, três a menos que Aílton, decidiu ajudar o namorado a montar a própria academia. "Eu ficava na recepção e ajudava na contabilidade", conta. "Foi um período difícil, de incertezas, mas percebemos que juntos conseguiríamos levar o projeto adiante." Roberta ainda ajuda na administração da academia, mas pouco vê o namorado durante a semana. "Fico aqui de manhã e ele só vem à noite". Casar, pelo menos, por enquanto, nem pensar.

Até alguns anos atrás, a história de Roberta e Aílton poderia ser considerada um exemplo de como um relacionamento não deve ser. Se namoro sempre foi um período preparatório para o casamento, sete anos é geralmente bem mais que o suficiente para resolver e colocar no papel o grande amor - ou desmanchar de vez. E não haveria desculpas. Numa época em que o virtual e o superficial dão o tom das relações entre homens e mulheres, quanto mais rápido se tomar uma decisão, melhor. Mas esse parece não ser o caso. "Eu adoro namorar", diz ela. "Nós fazemos muitas coisas juntos, mas às vezes quero estar com meus amigos, viajar, e ela também", completa Aílton. "Confiamos o bastante um no outro para fazermos isso."

NOVOS MODELOS

Na verdade, o ambiente que uniu o casal poderia ter até atrapalhado a relação. Afinal, academias de ginástica estão no imaginário de pessoas propensas ao ciúme. Mas isso não causou problemas. Ailton e Roberta seguem firmes no namoro e, apesar de todas as ameaças em potencial, nenhum dos dois pensa em mudar a situação. Sem o peso da cobrança social que antigamente conduzia as pessoas a uma união supostamente para toda a vida, muitos casais como Ailton e Roberta estão preferindo prolongar o namoro, sem se sentirem culpados por andar na contramão da sociedade, que já está acostumada a relacionamentos que não duram mais do que meia hora.

"Viver na mesma casa não é a fórmula para a maioria dos casais" afirma o psiquiatra e escritor Roberto Shinyashiki. "As pessoas que optam por não casar estão buscando uma nova forma de relacionamento." Segundo ele, a maneira de as pessoas se relacionarem deve respeitar a unicidade de cada um. "Nem sempre o que foi bom para os pais vai funcionar com os filhos", explica. Esse é o caso da produtora de moda Roberta Lima Dias, que namora o designer gráfico Matheus Olímpio da Silva há treze anos. Ela é de uma família muito ligada às convenções sociais, como os almoços na casa da avó todos os domingos. Ele, um transgressor, muito mais preocupado em seguir as próprias regras. As famílias freqüentavam o mesmo templo budista e esse era o único ponto em comum entre os dois. O namoro começou depois de dois anos de muita insistência de Matheus. "Eu me sentia atraída, mas não aceitava gostar dele, porque éramos muito diferentes" diz Roberta, de 30 anos, três mais nova que o namorado.

A relação foi dividida em três fases: "Os primeiros três anos foram de adaptação, depois vieram as brigas e desentendimentos e hoje sinto que estamos mais maduros e, quando brigamos, sabemos exatamente o porquê" conclui. Os treze anos foram marcados por muitas separações, implicando até a venda de móveis e carros que compraram juntos. Nesses períodos, tanto Roberta quanto Matheus tiveram outros relacionamentos. "Nós nunca ficamos separados por mais de seis meses, mas nessas fases ficávamos com outras pessoas e tínhamos a oportunidade de reavaliar a nossa relação" diz Matheus. "É sempre difícil admitir que as coisas não estão dando certo, mas quando ficava com outros caras, percebia que precisava de mais" completa Roberta.

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