A minissérie sobre a vida da compositora e maestrina Chiquinha Gonzaga foi um grande sucesso de público na televisão. Pouca gente, porém, sabe até hoje que essa mulher que chacoalhou a sociedade carioca no século 19 era uma afro-descendente. É natural. Interpretada por uma atriz branca, Regina Duarte, a imagem que acabou ficando gravada na memória não poderia ser de uma mulher negra, filha de uma mulata - em plena vigência da escravidão - e de um militar branco. Ela e a cantora Elizeth Cardoso - um dos maiores nomes do samba no século 20 - foram as duas mulheres escolhidas para esta segunda edição de Raça Educação, uma seção que tem o objetivo de contribuir como ferramenta em sala de aula para o ensino da cultura e da história afro-brasileira - tornado obrigatório em 2003 pela lei 10.639. A seção estreou na edição de fevereiro da Raça e continua nesta com o tema Heróis de todo mundo, nome da série do Canal Futura, da Fundação Roberto Marinho, que é parte do projeto A cor da cultura, resultado de uma parceria com a Seppír, Petrobras, Cidan e TV Globo. Cedidas pela Futura, as biografias foram escritas pela professora Lúcia Silva.
PARA O PROFESSOR
Veja algumas sugestões para o uso de Raça Educação em sala de aula
Após apresentar aos alunos as biografias de Elizeth Cardoso e Chiquinha Gonzaga, uma sugestão para o professor é pedir que pesquisem a vida e o trabalho de outras mulheres negras - aproveitando o fato de o dia 8 deste mês ser o Dia Internacional da Mulher - que marcaram a história. As escritoras Carolina Maria de Jesus e Auta de Souza, a antropóloga Lélia González e a professora Antonieta de Barros são alguns dos nomes que podem ser estudados. Para deixar mais claro para os alunos que não é preciso estar morto para ser reconhecido como herói, pode-se pedir a eles também que pesquisem a respeito do trabalho de afro-descendentes que atualmente vêm abrindo caminho em várias áreas da sociedade, derrubando tabus e preconceitos. É o caso de personalidades como o secretário da Justiça de São Paulo, Hédio da Silva Júnior, o ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa, e a desembargadora Neuza Maria Alves, entre outros. |
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