O HOMEM DA FLORESTA Considerado no exterior o melhor percussionista do mundo, NANÁ VASCONCELOS busca recursos para desenvolver um projeto musical educativo para as crianças brasileiras
POR EDUARDO SILVA FOTOS: MÔNICA VENDRAMINI

Algumas pessoas são como vinho - o tempo só lhes faz bem. Contrariando a ordem natural da vida, a aparência física da juventude, muitas vezes sem grandes atrativos, melhora de acordo com o passar das águas debaixo das pontes. É difícil especular por que tão poucos têm essa sorte, mas um exemplo desse fenômeno é Naná Vasconcelos. Aos 61 anos, ele é um percussionista com um vigor contagiante. A jovialidade de sua música é a mesma - ou maior - que no início dos anos 70, quando lançou seu primeiro disco, intitulado AfricaDeus, em Paris, onde viveu durante seis anos. Em Amazonas, a genética dissonante foi generosa para "o homem da floresta" - apelido que sintetiza a definição dos músicos de Nova York (onde morou com o cineasta Glauber Rocha), que o chamavam assim devido às inúmeras pesquisas que ele fazia sobre a natureza. "Sempre gostei de morar fora, experimentar e conhecer novos ritmos", afirma.
RAÍZES FOLCLÓRICAS
A máxima de Tom Jobim, segundo a qual, a melhor saída para a música brasileira é o aeroporto, confirma as sete vezes em que Naná recebeu o título de melhor percussionista do mundo, conferido pela revista norte-americana Down Beat. Entre os diversos discos lançados aqui e no exterior, nenhum é tão magnífico quanto o Chegada, uma ótima oportunidade para conhecer melhor sua aguçada sensibilidade auditiva, escudada de amigos músicos. É indicado para quem está com saudades daquele artista que nunca se distancia de suas raízes folclóricas nordestinas, assim como fez o poeta Carlos Drummond de Andrade em relação às suas confissões itabiranas.
PÁGINAS :: 1 | 2 | Próxima >> |