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  LIGAÇÕES PERIGOSAS
Cerca de um terço dos relacionamentos amorosos tem início no local de trabalho. Mas cuidado: romances em ambiente profissional nem sempre acabam bem e podem levar à demissão

POR DJALMA LEITE DE CAMPOS ILUSTRAÇÃO: ÉRIKA ONODERA

A gerente de banco Simone (*) conheceu o marido Carlos* na agência em que os dois trabalhavam no centro de São Paulo. Depois de algum tempo de namoro, o casamento. Final feliz, mas com uma intervenção da empresa: a transferência do companheiro para outra agência, numa tentativa clara de evitar que o relacionamento amoroso interferisse no trabalho. "Eu já sabia que isso poderia acontecer antes de começar a trabalhar na rede bancária. Na admissão, recebemos um estatuto de regras", admite Simone. "No nosso caso a separação de ambiente mudou tudo para melhor."

Depois de tomar o remédio meio amargo oferecido pela empresa, Simone se viu obrigada pelo cargo a aplicá-lo regularmente em outras pessoas. Em vinte anos de banco - dezesseis deles como colega do marido - a gerente já perdeu a conta do número de vezes que teve de fazer uso da regra. "Se o namoro ficou mais sério, cada um vai para um lugar", resume. Ela usa seu próprio exemplo para explicar que é quase impossível não misturar paixão e trabalho. "Meu marido foi meu chefe, e ele não gostava quando clientes ficavam muito perto de mim. E eu sentia ciúmes das mulheres que o cercavam", revela Simone.

"EU JÁ SABIA DA REGRA DE CONDUTA AO ENTRAR NO BANCO. NO MOMENTO DA ADMISSÃO, RECEBEMOS UM ESTATUTO. NO NOSSO CASO, A SEPARAÇÃO DE AMBIENTE MUDOU TUDO PARA MELHOR"

Casos como o de Simone são apenas um lado da história. Os finais nem sempre são tão felizes como o enlace do casal paulistano. Com o temor de que os relacionamentos prejudiquem o ambiente profissional, empresas brasileiras costumam coibir severamente a aproximação íntima entre funcionários. Outras aceitam, mas criam dispositivos que, lentamente, tiram o fôlego dos casais. Todo o poder de grandes corporações, capazes de esmagar a concorrência, não consegue controlar as paixões de seus funcionários. Os números provam. Pesquisa do professor Ailton Amélio, do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, USP, publicada no livro O mapa do amor (Editora Gente), mostra que um em cada três relacionamentos começam no ambiente de trabalho.


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