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  VAZIAS PANELAS
A maioria dos chefes de família negros não consegue colocar alimento suficiente em casa ou não consome os produtos que deseja

POR MARCELO PAIXÃO

O tema da segurança alimentar representa um dos principais problemas brasileiros nos tempos atuais. Seja nas estatísticas, seja na música popular, "podem guardar as panelas que hoje o dinheiro não deu" (de Paulinho da Viola), todos os brasileiros sabem que a mazela da fome atinge milhões de pessoas com drásticas seqüelas em múltiplos planos. Por outro lado, sabemos que essa questão infelizmente possui um evidente componente racial, tendo em vista a triste realidade de serem os negros os maiores afetados pelos níveis extremados de pobreza e indigência.

Na busca de um entendimento mais aprofundado desse problema, mobilizamos os dados da Pesquisa dos Orçamentos Familiares (POF), realizada pelo IBGE (Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) no ano de 2003. Analisando a Tabela 1, percebemos que entre as famílias brasileiras chefiadas por pessoas brancas, em 62,5% dos casos a quantidade de alimentos consumida é considerada suficiente. Entre as famílias chefiadas por negros podemos ver na mesma tabela que esse percentual é vinte pontos inferior. Em suma, praticamente dois em cada cinco chefes de família brasileiros negros (autodeclarados pretos e pardos) afirmam que a quantidade de alimento consumida em seus domicílios normalmente não é suficiente. Segundo a mesma fonte, podemos ver que mais de 57% dos domicílios chefiados por negros no Brasil não contavam com uma quantidade de alimentos regularmente satisfatória. A análise da qualidade dos alimentos consumidos é igualmente um importante plano da realidade da segurança alimentar. Parece evidente que obrigar uma família ao consumo de produtos alimentícios que não são do seu agrado representa mesmo um severo modo de afronta à sua dignidade.

OBRIGAR UMA FAMÍLIA AO CONSUMO DE PRODUTOS QUE NÃO SÃO DE SEU AGRADO É UMA AFRONTA À SUA DIGNIDADE

Da Tabela 2 vemos que 21,8% dos chefes de família negros raramente consomem os alimentos da qualidade que desejam. Entre os chefes de família brancos, são 13%. Alternativamente, entre os chefes de família que declaram consumir sempre os alimentos que desejariam, os de raça/cor branca superavam proporcionalmente os negros em cerca de 76%.

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