Aos
50 anos, a funcionária pública aposentada Regina Helena Bonifácio de Lima
tinha um sonho: aproveitar o tempo livre para se dedicar a uma causa social.
Mas o que não passava por sua cabeça é que, para concretizar esse desejo,
ela viria a se despir de sua timidez, medos, receios e - até das próprias
roupas. Há dois anos ela é voluntária do Grupo de Apoio ao Adolescente
e à Criança com Câncer, Graacc, entidade sem fins lucrativos em São Paulo
originada em 1991 a partir do setor de Oncologia Pediátrica da Escola
Paulista de Medicina. Regina topou o desafio e foi uma das onze mulheres
que posaram nuas para o calendário beneficente da entidade para 2006.
A iniciativa foi inspirada em uma ação semelhante realizada na Inglaterra,
transformada no filme Garotas do Calendário, disponível nas locadoras.
"Aceitei o convite antes mesmo de assistir ao filme", diz Regina. "Sempre
quis fazer um trabalho voluntário e acho que essa dedicação implica despir-nos
de nossos preconceitos e valores, que são muitas vezes superficiais".
Entre os pré-requisitos para passar pelo processo de seleção não estavam
exigências do tipo corpo esguio, beleza e fotogenia. O foco da escolha
era outro: a candidata tinha de ser voluntária da entidade e ter pelo
menos 50 anos.
Uma das qualificações que fizeram com que Regina garantisse sua foto
no calendário foi o fato de ser negra. "Eles se preocuparam muito com
a diversidade", conta. Também não foi por acaso que ela ilustra o mês
de novembro. "Acho que fizeram uma homenagem ao mês da Consciência Negra",
explica.
APOIO DA MÃE
Ela garante que, apesar de ter estreado como modelo, não ficou inibida.
"Tudo foi muito profissional", afirma. "O fotógrafo arrumava o cenário
e saía da sala. Sua assistente é que fazia os últimos acertos de luz e
só então pedia para que tirássemos o roupão". Para cobrir as partes íntimas,
todas usaram arranjos de flores.
Solteira, Regina contou com o apoio da mãe. Os amigos souberam de sua
iniciativa somente depois de acompanhar reportagens pela televisão. "Eles
ligavam em casa, surpresos", relembra. A experiência foi enriquecedora.
"Acho importante tomarmos uma posição", sustenta. "Não podemos ficar indiferentes
às causas sociais. E o mais bonito é que percebo que tenho recebido mais
do que doado."
O calendário pode ser adquirido nas livrarias LaSelva ou pelo site www.graacc.org.br
e custa R$ 25.
Adriana Reis
MOVIDO A RAPADURA
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| Marquinhos: improviso no squeeze |
Todo nordestino sabe: cabra bom mesmo, para ficar forte feito touro,
precisa comer pelo menos uma lasca de rapadura por dia. O cearense Antônio
Marcos, o Marquinhos, não fugiu à regra. Apaixonado pelo triatlo, esporte
que conheceu em 1996, ele sonhava em se tornar um competidor profissional.
Mas faltava o dinheiro para comprar a bicicleta e investir em suplementos
alimentares. O jeito foi improvisar. Marquinhos chegou
a usar nas provas de rua uma mountain bike, específica para trilhas. Para
não faltar energia, fazia uma solução que misturava água e raspas de rapadura,
apelidada por ele de rapapower. "Não tinha dinheiro para comprar isotônico
e colocava água com rapadura na caramanhola, ou squeeze. Fui conseguindo
bons resultados". A experiência deu tão certo que, em 2005, sagrou-se
campeão brasileiro da modalidade e passou a integrar a seleção permanente.
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