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Foto: Tainá Frota
E
rrado. E deu certo, muito certo. Apesar de dizer que teve diversas formações, não se aprofundou em nenhuma, Nego Moçambique - nascido Marcelo de Jesus - prova que unir conhecimentos diversos e criatividade pode resultar em boa música e se firma, aos 32 anos, como um dos maiores nomes no cenário da música eletrônica no Brasil. Ele fez a pista chacoalhar no último TIM Festival, realizado entre 21 e 23 de outubro em São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre. Nasceu em Brasília, começou na música aos 7 anos, no Espírito Santo.

E aprendeu a tocar violoncelo. Só que disciplina nunca foi seu maior mérito. Talvez por isso ele tenha conseguido se tornar músico, produtor, cantor, dançarino e grafiteiro. Apesar de viver no agito das noites, Nego Moçambique se diz muito pouco estressado. Ele cursou artes plásticas, música, dança, porém não terminou nada. "Minha formação é a de ser humano mesmo", define. "Fiz tudo de uma maneira superficial." Mas é certo que essa mescla de experiências compõe o cadinho musical que é seu ritmo.

ENVERGONHADO
Em setembro, Nego Moçambique esquentou a platéia para a apresentação do norteamericano Moby no Brasil, na festa de três anos do Hotel Unique, em São Paulo Eles não chegaram a ter contato e confessa que ficou "envergonhado" com o clima de show, o palco. A timidez vem do estranhamento de um ambiente diferente ao das pistas. "Meu negócio é pista, ver a gente dançar". Nego conhece o CD Play do nova-iorquino, gosta do estilo. Mas não é exatamente um fã.

MINHA FORMAÇÃO É A DE SER HUMANO MESMO. FIZ TUDO DE UMA MANEIRA SUPERFICIAL"

O currículo de Nego Moçambique é extenso, já tocou no festival de música eletrônica espanhol Sónar, ao lado do brasileiro DJ Marlboro, um dos grandes defensores do funk, que também tocou com ele no último Nuit Blanche, em Paris, no mês passado. O Nuit Blanche é composto por uma série de espetáculos de música gratuitos que ocorrem pela capital francesa. E, claro, também foi presença no Skol Beats, festival que reúne grandes nomes da música eletrônica anualmente.

Sempre ligado ao mundo dos sons, foi assim que escolheu sua atual alcunha artística. Há cerca de três anos, deixou o Marcelo e o Jesus de lado e resolveu investir em Nego Moçambique. "Eu tinha acabado de conhecer minha avó e queria um nome que lembrasse o meu lado afro-descendente", recorda. Daí, surgiu o Nego. Já o Moçambique foi escolhido "porque soa bem e também lembra as origens de parte do que somos, do que é o Brasil".

GOSTO ECLÉTICO
Assim, ele consumou o casamento entre herança e sonoridade. Tentando sempre unir cultura e música, ele fala de seu ritmo mestiço. "Desde que comecei, eu tento unir house, funk, breakbeats, afrobeats, soul, música indiana, árabe, japonesa", afirma. Seu som vem de seus Live PAS - expressão que significa que a música não sai dos discos vinil, mas de sintetizadores, seqüenciadores e baterias eletrônicas.

Desse modo, cada show é único, porque ele ainda solta a voz. Eclético em casa, costuma ouvir o que a namorada quer. "Vai de Los Hermanos a Dance Hall", conta. Portanto, sim, ouve muita coisa que tem a ver com seu trabalho, embora esqueça os nomes. Em relação à agenda, também é tranqüilo. "As pessoas marcam meus shows e aí eu vou, nunca me importo com onde". O negócio dele, definitivamente, é festa. Dayanne Mikevis

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