SARAVÁ, NAOMI A MAIOR TOP MODEL NEGRA DA HISTÓRIA
POR CARLOS DIAS

SE APROXIMA CADA VEZ MAIS DO BRASIL E SE DECLARA ANGLO-BRASILEIRA
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| NAOMI: "Adoro água. E o Rio é o lugar onde mais gosto de relaxar" |
Essa é uma das formas de se escrever um nome feminino bastante comum no Japão. Pronuncia-se Naomi e pode ser traduzido como "beleza pura" - uma expressão mais do que apropriada para descrever a maior top model negra que já pisou numa passarela em todo o mundo. Naomi Campbell nasceu inglesa, só que não tem nada de japonês além do nome. Seu coração, no entanto, bombeia sangue oriental - herança comum a muitos afro-descendentes como seus pais, que vieram da Jamaica, país da América Central, onde uma maciça imigração chinesa produziu uma mistura de raças sem igual no planeta.
Cosmopolita é pouco para definir essa mulher, que passa mais tempo em aviões e hotéis do que nas casas que possui na Inglaterra, Escócia, Estados Unidos e na Jamaica, seu refúgio para descansar e resgatar suas raízes sino-africanas nos fins de semana que às vezes sobram. Ultimamente, porém, ela anda mesmo é muito brasileira. "Sou uma anglo-brasileira", disse Naomi Campbell à Raça.
A julgar por suas atitudes, até que não é exagero. Afinal, desde o começo dos anos 90 ela vem ao Brasil várias vezes por ano, desfila para grifes nacionais, como TNG e Rosa Chá, é madrinha de batismo da neta de uma brasileira dona de um salão de beleza em Nova York e, mais recentemente, admitiu que está querendo comprar um apartamento no Rio - de preferência na avenida Delfim Moreira, uma das mais elegantes da cidade. "Adoro água", diz ela. "E o Rio é o lugar onde mais gosto de relaxar." Numa de suas últimas visitas ao país, Naomi mostrou que tem mais do que um pé na cozinha brasileira, ao circular com um belo colar que trazia representações dos principais orixás - uma jóia, mas nem por isso menos afro-brasileira, desenhada por Ricardo Filgueiras, um dos mais famosos joalheiros cariocas. Nos últimos cinco anos, a freqüência de suas viagens ao país aumentou ainda mais. Passou a unir o útil ao agradável, estreando na moda brasileira pela Cia. Marítima. Às vezes, ela vem ao Brasil e fica não mais que vinte e quatro horas apenas para prestigiar festas dos vários amigos que fez por aqui, como Pedro Paulo e João Paulo Diniz, herdeiros do grupo Pão de Açúcar, ou o apresentador Luciano Huck.
Mas isso tudo talvez seja o de menos. Se Naomi se sente brasileira, ela é uma negra brasileira. E não é só porque tenha desfilado no carnaval carioca pela Portela. Isso qualquer celebridade pode fazer para aparecer. Mas é porque quando faz isso ela empresta todo o peso de seu nome internacionalmente venerado em favor de causas sociais de indiscutível negritude - uma questão tão cultural quanto racial. Para quem domina as passarelas há vinte anos, ela diz com humildade que estava muito nervosa antes de entrar no sambódromo. "É que não sei sambar", justificou.
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