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Por Adriana Reis e Dayanne Mikevis
Brincadeira na tv
Aos 12 anos, Kleber Ramos, o Jacarezinho, é escolhido
para integrar a equipe de apresentadores do Patrulha Nick, no canal pago
Nickelodeon
Indiferente à algazarra das crianças que corriam enquanto esperavam o
início da festa, Kleber Augusto Camargo Ramos experimentava as novidades.
"O que é isso?", perguntou para a garçonete, que teve de se curvar e inclinar
a bandeja para que o menino de 12 anos pudesse ver melhor. "Canapé de
carpaccio", respondeu, sem se estender. O nome não resolveu a dúvida de
Kleber, que pegou o quitute com cuidado e o colocou de uma vez na boca.
Mastigou devagar, deixando evidente que experimentava o petisco pela primeira
vez. Ao ser questionado se sabia o que tinha acabado de engolir, o garoto
ficou sem graça e fez que não com a cabeça. "Carne crua?", surpreendeu-
se. Mas, ao contrário da careta que se poderia esperar de qualquer criança,
ele fez sinal de positivo e assimilou, naturalmente, o aprendizado.
É dessa forma, com tranqüilidade, que Kleber parece vir encarando as
mudanças de sua vida. A mais recente é o contrato que assinou com o canal
de tevê por assinatura Nickelodeon, para ser o novo integrante da Patrulha
Nick, programa dedicado às crianças. Além de ser o mais jovem da turma
- que conta com outros quatro apresentadores - Kleber também é o único
negro. Ele foi escolhido a partir de uma rigorosa seleção, que incluiu
testes de vídeo e, na fase final, uma votação do público. A sua vitória
foi comemorada com uma festa, no mês passado, patrocinada pelo canal.
O evento ocorreu em uma casa de escalada em São Paulo, com alguns telespectadores
convidados.
"VINHAM
ME PEDIR AUTÓGRAFO E EU NEM SABIA ESCREVER. MINHA MÃE COLOCOU MEU
NOME EM UM PAPEL E EU COPIEI ATÉ APRENDER"
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Toda a naturalidade de Kleber se ancora numa experiência profissional
que já toma mais da metade de sua vida. Ele começou no meio artístico
aos 5 anos de idade, como o Jacarezinho, o extrovertido dançarino do grupo
infantil Molecada, que fazia cover É o Tchan! nos programas do Raul Gil.
"As crianças vinham me pedir autógrafo e eu nem sabia escrever", recorda.
"Minha mãe colocou meu nome em um papel e eu copiei até aprender." Kleber
aprendeu a lidar com o sucessorelâmpago, mas ao que tudo indica nunca
abriu mão de suas próprias molecagens, nem sua família abdicou da simplicidade.
Fã do apresentador Netinho e do cantor Marcelo D2, ele conta que gosta
de passar as tardes brincando com seu skate, bicicleta e bola de basquete.
A NOTÍCIA
No quintal de casa soube que tinha sido escolhido para o trabalho. "Ligaram
e avisaram minha mãe, que começou a chorar", diz. "Meu irmão saiu do chuveiro,
e eu corri com o coração batendo forte", lembra. "Comemoramos com pizza
de mussarela".
Kleber gravará o programa todas as quintas e promete que continuará levando
a sério os estudos - ele cursa a sexta série. A seriedade transparece
também quando fala sobre a apresentação do programa. "Por ser o primeiro
e o único negro lá, tenho que fazer tudo com muita garra para representar
bem todos os negros", afirma, antes de ajeitar o boné, correr para salão
e se perder no meio das outras crianças. Era hora de brincar
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