ELES QUEREM MUDAR O MUNDO Aparentemente vivendo em universos diferentes, a atriz Isabel Fillardis e o rapper MV Bill têm sonhos, desejos e trabalhos com o mesmo propósito
POR SANDRA ALMADA FOTOS DANIEL BENASSI

Ela foi apontada como a personalidade negra referência de mulher, mãe
e profissional para a população afro-brasileira, de acordo com pesquisa
encomendada pela empresa Unilever.
Ele recebeu da Unicef, em 2003 e 2004, reconhecimento como destaque do
ano, por ser um dos rappers mais politizados dos anos 90.
Dinâmica, ela está, aos 32 anos, envolvida em vários projetos culturais,
um deles em parceria com a ONG Afrobras, cujo objetivo é implantar, no
Rio de Janeiro, uma universidade voltada para afrodescendentes.
Ousado, ele inicia, aos 31 anos, carreira literária e empresarial. Ativista,
funda a Cufa - Central Única das Favelas - importante organização político-cultural
ligada ao hip hop.
Ela, preocupada com questões ambientais e a injustiça social, cria a
ONG Doe seu Lixo.
Isabel Fillardis e MV Bill foram as personalidades escolhidas por Raça
Brasil para simbolizar os afro-brasileiros em sua edição de aniversário.
Em universos distintos, estão frente a frente - e lado a lado - nesta
reportagem especial.
Ele nasceu em Cidade de Deus, uma das áreas mais violentas da cidade.
Intitula- se MV Bill, não revela seu nome verdadeiro, mas dá como identificação
Alex Pereira Barbosa para quem insistir. Um ano antes, em Belford Roxo,
na Baixada Fluminense, dona Sônia dava à luz a menina Isabel Cristina
Deodoro Fillardis.
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| Cada um de uma maneira, Isabel e Bill tocam ONGs que pretendem conscientizar
as pessoas |
"Quando meus pais chegaram à Cidade de Deus, não havia facções criminosas
estabelecidas, armamentos pesados. Cresci vendo a escalada do poderio
das armas, das drogas e os bandidos cada vez mais jovens. Fui trilhando
um caminho paralelo, por meio do hip hop, que foi a salvação
para mim.", conta ele. "Minha marca foi a persistência em ser exceção
dentro de uma regra que não me favorecia. Chega de nós, pretos, só sairmos
na página policial. Vamos para a seção cultural de jornais e revistas."
"Sou de origem humilde", diz Isabel Fillardis, que pequena se encantava
com editoriais de moda. "Morei, durante a infância, na periferia do Rio,
em bairros como Bonsucesso, Inhaúma, Marechal Hermes. Brincava descalça
na rua". Filha única até os 5 anos de idade, o pai era militar e a mãe,
dona de casa.
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