Viva a diferença As crianças precisam saber que meninos e meninas são diferentes, mas nenhum é melhor ou pior. Eles se complementam e tornam-se cidadãos com os mesmos direitos e deveres
ISABEL TARANTO E EDIANEZ PARENTE FOTOS: CAIO MELLO
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| Cíntia, Carlos (filho), Carlos, Sidnéia e Kleber |
"Que bebê bonitinho! É menino ou menina?" Todo mundo quer saber o sexo
da criança para agradar o rebento e a família fazendo uma brincadeira
mais adequada. Ou seja, desde cedo homens e mulheres não recebem o mesmo
tratamento. Na verdade, isso acontece porque garotos e garotas são educados
com distinção. Percebemos melhor isso quando temos filhos e nos damos
conta que, de fato, fazemos diferenças.
Historicamente, a sociedade sempre deu mais liberdade para os rapazes
e conteve as moças. O resultado foi gerações de "amélias" e de homens
que tudo podiam. Só no século passado é que as mulheres conquistaram o
direito de votar, se lançaram no mercado de trabalho e conseguiram autonomia
e independência, ufa! (também queimaram sutiãs e adotaram a pílula anticoncepcional).
Mas apesar de todo esse avanço as diferenças permanecem. Haverá regras
para criar meninos e meninas?
"Os pais educam de forma diferente, sim, não adianta negar. O problema
é quando se estabelece essa diferença tratando a menina como mais sensível
e o menino como mais forte, por exemplo. Isso é ruim porque discrimina
a mulher como sexo frágil e incentiva valores negativos como 'homem não
chora'", diz a psicóloga clínica Gina Duarte, de São Paulo. O mesmo efeito
é provocado por dogmas como "menino não pode fazer serviço caseiro". Esse
tipo de orientação não prepara a criança para as situações do dia-a-dia
e incentiva um comportamento machista. "Se for criado assim, quando esse
garoto virar homem e se casar, não vai querer dividir com a mulher as
tarefas domésticas", opina a psicóloga Elizete Aparecida Leite de Campos.
"PARA
TER CERTEZA DE QUE NOSSOS FILHOS NÃO VÃO SE TORNAR HOMENS EGOÍSTAS
E
VIOLENTOS, VAMOS ABRAÇÁ-LOS BASTANTE, NÃO IMPORTA SE TÊM 5, 10
OU 15 ANOS"
TRECHO DO LIVRO CRIANDO MENINOS
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FOLIAS E PERALTICES
Guris gostam mesmo de correr, pular, lutar e fazer mil e uma peripécias.
Faz parte da natureza deles, mas não é necessário ser supervalorizado.
Até porque eles precisam aprender a conter seus impulsos na sala de aula
para ouvir a explicação da professora, deixar-se encantar com um livro
e saber que ficam bonitos quando combinam adequadamente as roupas. Em
geral, as garotas se entretêem mais facilmente com bonecas e gostam de
usar modelinhos da moda combinando vários itens. Mas não é preciso forçar
a barra e estimular demasiadamente a vaidade delas cobrindo as pequenas
com maquiagem e acessórios. Afinal, elas também gostam de apostar corrida,
brincar de pega- pega, esconde-esconde, bicicleta, patins. São crianças.
"Felizmente já temos muitas que jogam futebol com apoio da família", lembra
Gina, feliz com esse tipo de avanço. Mas ainda é pequeno o número de pais
que dão o mesmo incentivo para o filho que deseja aprender balé.
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