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  WHO'S BAD?
Aos 46 anos, o astro pop é uma pálida sombra do menino prodígio que cativou o mundo no final dos anos 60 e que, nos anos 80, tornou-se o maior fenômeno mundial em vendagem. Com muita fama e dinheiro, mas perdeu o rumo da carreira e a popularidade

OSWALDO FAUSTINO

"Eu cresci em um aquário e não permitirei que isso aconteça com meu filho", declarou Michael Jackson à imprensa, em fevereiro de 1997, quando nasceu seu primeiro herdeiro. Esse pedido de respeito à privacidade dele e de seus familiares revela o quanto deve ser terrível crescer sob os holofotes. Como num verdadeiro reality show, raros foram os momentos em que os focos de luz não estiveram sobre esse artista, nascido em Gary, Indiana, nos Estados Unidos, em 29 de agosto de 1958. As atenções voltaram- se para ele de modo ainda mais agressivo em janeiro deste ano, quando começou seu julgamento no tribunal de Santa Maria, oeste da Califórnia. O cantor foi acusado de abusar sexualmente de um menino de 13 anos, entre fevereiro e março de 2003, e de conspirar para cometer seqüestro infantil, cárcere privado e extorsão. O desfecho deste caso foi a absolvição, anunciada no dia 13 de junho. Para o alívio de milhares de fãs espalhados pelo mundo inteiro, Michael Jackson livrou-se da prisão. Mas, diante dessa superexposição, como ficam sua imagem e a carreira?

TALENTO DE INFÂNCIA
Sexto dos nove filhos do operário e dublê de músico Joseph Jackson e da dona de casa Katherine Scruse, Michael estava com 4 anos quando o pai percebeu seu talento musical. Imediatamente lhe impôs a mesma rotina dos meninos mais velhos, Jermaine, Tito, Jackie e Marlon: ensaio de, no mínimo, cinco horas por dia. Com mãos de ferro, Joseph não poupava castigos e agressões, ao menor sinal de cansaço, desânimo ou vontade de sair para brincar com outras crianças. Na época, o grupo se chamava Ripples and Waves, e foi rebatizado de Ripples and Waves Plus Michael. Um nome complicado para ser anunciado nos shows, que se multiplicavam. Por isso passou a chamar Jackson Five.

Descobertos pela cantora Gladys Knight em um show de talentos, eles contaram com a ajuda dessa fada madrinha para gravar o disco de estréia, o single independente Big Boy, lançado em 1968. A família Jackson chorou unida ao ouvir pela primeira vez a canção no rádio. Mal sabia que o Jackson Five estava prestes a se tornar um dos mais populares grupos musicais dos anos 70. Graças a esse sucesso, a madrinha do quinteto conseguiu apresentá- los a Berry Gordy, dono da Motown, a gravadora negra de Detroit. Lá, Diana Ross arrancou a varinha mágica das mãos de Gladys e lançou o álbum Diana Ross Presents the Jackson Five. A partir daí, o grupo passou a colecionar sucessos e Michael Jackson começou uma carreira-solo (em 1971), inicialmente paralela a sua atuação no Jackson Five.

Criativo, ousado e talentoso, Michael Jackson fez história ao criar coreografias que se transformaram em referência para toda uma geração de fãs. Quem não se lembra dos passos de break em Billie Jean e do swing nos videoclipes de Thriller e Bad?

Aos poucos, porém, ficou impossível conciliar sua agenda com a dos irmãos e decidiu se separar. A despedida aconteceu durante a turnê do álbum Victory, em 1984. No final da temporada, o astro pop fez uma declaração bombástica: "Meu pai já ganhou muito dinheiro comigo. Agora basta de exploração". E partiu para se tornar a maior lenda da história da música nos anos 80.

"BOB MARLEY MORREU PORQUE, ALÉM DE NEGRO, ERA JUDEU. MICHAEL JACKSON AINDA RESISTE, PORQUE, ALÉM DE BRANCO, FICOU TRISTE"

TRECHO DA MÚSICA DE BOB DYLAN A BOB MARLEY, DE GILBERTO GIL


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