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  MENINAS DE OURO
Boas de briga, elas entram no ringue sem dó nem piedade e detonam o preconceito contra o sexo frágil

ADRIANA REIS E SANDRA ALMADA
FOTOS: DANIEL BENASSI

A rapper Flávia Souza e a atriz Danielle Ornelas se enfrentam perante a arbitragem de Jorgina Ferreira.

Munidas de luvas de boxe, muita técnica, preparo físico e disposição, as garotas brasileiras estão invadindo uma modalidade esportiva que há dez anos era considerada um reduto masculino: o boxe. A exemplo de Laila Ali e Jackie Frazier, respectivamente filhas dos pugilistas Muhammad Ali e Joe Frazier, as boxeadoras brasileiras estão aí para provar que lutar também é coisa de mulher.

"Aderimos ao boxe antes de ele virar moda nas academias, o que aconteceu há três anos. Escolhi praticá-lo porque confere agilidade, energia, reflexo, disposição. Além disso, o esporte me deu vitalidade para enfrentar as batalhas do cotidiano", conta Jorgina Heloísa Botelho Ferreira, 40 anos, lutadora da equipe Arena, professora e árbitra da Federação de Boxe do Estado do Rio de Janeiro.

Motivos não faltam para essas atletas se lançarem ao ringue. Para as cariocas Danielle Ornelas, 27 anos, e Flávia Souza, 25 anos, empunhar as mãos funcionou como uma terapia. "Tinha perdido minha mãe e a alegria de viver. Nas lutas, trabalhei meu emocional, ganhei condicionamento físico e aprendi a me defender", testemunha Dani, que é atriz. "Precisava afirmar minha identidade e me fortalecer. Hoje não tenho medo de nada, nem de ninguém", conta Flavinha, que é rapper, atriz e boxer amadora.

"ESCOLHI O BOXE PORQUE QUERIA AFIRMAR MINHA IDENTIDADE E ME FORTALECER. HOJE NÃO TENHO MEDO DE NADA E DE NINGUÉM"

FLÁVIA SOUZA


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