Irmãos sim! Respeitar as diferenças e educar os filhos com os mesmos valores é a chave para evitar problemas futuros como ciúmes e baixa auto-estima
ADRIANA REIS E SILVANA INÁCIO FOTOS: MANOEL MARQUES
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| Mano a mano: Augusto Henrique e João Vitor (à direita), gêmeos bem
diferentes |
Entrou no ar em abril, na Rede TV, o seriado Mano a Mano. No
formato dos seriados americanos, mas escrito por roteiristas brasileiros,
o sitcom conta com bom humor a história de dois irmãos que só se conheceram
depois de adultos. Um é branco, o outro, negro, e pertencem a mundos totalmente
diferentes. Aprender a conviver com as desigualdades será o menor dos
desafios que os dois terão de enfrentar. No decorrer dos episódios eles
vão descobrir que, apesar das diferenças físicas, eles têm muitas afinidades.
Irmãos fisicamente desiguais faz parte da vida real das pessoas. Após
três anos e oito meses, a diarista Eliana Martins, 30 anos, lembra com
alívio o fim do drama que sofreu nos primeiros meses de vida dos filhos,
os gêmeos João Vitor e Augusto Henrique.
Após enfrentar uma gravidez difícil por conta de hipertensão, Eliana
passou 14 horas na mesa de parto. João nasceu primeiro e teve problemas
respiratórios. Augusto veio em seguida: um saudável menino negro, como
ela e o pai da criança. Seis horas depois, ela pôde ver João Vitor pela
primeira vez e ficou surpresa por receber, das enfermeiras, um menino
branco de olhos azuis. O espanto inicial se transformou em angústia. E
se seu filho tivesse sido trocado na maternidade? Chegou a contar a própria
história diante das câmeras de TV e, depois de dois meses de espera, a
dúvida estava respondida: João Vitor era, sim, seu filho legítimo. Feliz
e orgulhosa com os filhos, Eliana carrega com ela uma cópia do exame de
DNA. "Toda vez que alguém questiona se os dois são meus filhos, tiro o
papel da bolsa e provo. Para não deixar dúvida", justifica. A psicóloga
Lídia Aratangi diz que há várias maneiras pelas quais dois irmãos podem
ser muito diferentes, a cor da pele é apenas a mais visível.
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| Giovana (à esquerda) e Ana Carolina dividem o amor
do papai e os brinquedos |
O NÚCLEO FAMILIAR
Diferenças de temperamento e de ideologia, embora não sejam tão aparentes,
podem ser até mais complicadas. "O posicionamento dos pais deve ser o
de educar todos os filhos com os mesmos valores e princípios, reconhecendo
e respeitando as diferenças. A auto-estima das crianças tem muito a ver
com o que elas enxergam no olhar dos pais. Se os pais estiverem próximos
e atentos, a própria observação será o bastante para perceber alguma dificuldade
- e ajudar a criança a superá-la antes que se transforme em um problema",
aconselha a psicóloga. Felipe Soares, negro, 25 anos, quando solteiro
teve um relacionamento com uma garota branca e resultou na falante Ana
Carolina, 4 anos, de cabelos crespos e pele escura como a dele. Agora,
está casado com uma mulher clara e nasceu a loirinha Giovana, 1 ano. As
irmãs se dão muito bem, mas Carolina sempre questiona o fato de não ter
os cabelos lisos da mãe e porque não tem a cor da irmã. O atento e paciente
Felipe responde: "É porque você é como o papai, como a vovó...". Ela muda
de assunto, se contenta com a resposta e fica tudo bem.
"O
PRECONCEITO INTERFERE NA AUTO-ESTIMA DA CRIANÇA QUE SE SENTE DISCRIMINADA
PELA FAMÍLIA"
PATRÍCIA
SPADA, ESPECIALISTA EM PSICOLOGIA INFANTIL
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