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  Nega show
Primeira rapper brasileira a lançar CD por uma grande gravadora, a Universal, Negra Li mostra que tem talento para ser muito mais que cantora de hip hop

ADRIANA REIS
FOTOS DÁRCIO TUTAK

Quando a caçula da família Carvalho conseguiu o primeiro emprego, aos 15 anos, nem sequer imaginava seguir uma carreira artística, menos ainda virar estrela do rap. Encarregada da tarefa de dobrar e guardar roupas produzidas por uma confecção em São Paulo, o sonho de Liliane limitava-se à possibilidade de guardar dinheiro para um dia comprar um carro e uma casa maior para os pais. Nas horas vagas, orava e entoava hinos em uma igreja evangélica para que seu desejo acontecesse.

Ainda bem que o destino deu uma mãozinha para mudar sua trajetória e não deixou que a bela voz fosse desperdiçada. O resto veio na carona de sua própria garra e talento. A moradora da Vila Brasilândia, periferia da zona norte de São Paulo, tornou-se Negra Li e agora começa a colher os louros do primeiro CD, Guerreiro, Guerreira, gravado em parceria com o rapper Helião e lançado pela Universal. Também acaba de participar do filme Antônia, da cineasta Tata Amaral, em que interpreta Preta, uma garota que forma um grupo rap com três amigas, e já freqüenta páginas de revistas e programas de TV.

Pés no chão e sem deslumbramento com a fama, Negra Li, 25 anos, conversou com a reportagem de Raça Brasil enquanto se preparava para protagonizar um ensaio fotográfico para a revista.

"SE NÃO ME APRIMORAR, SEREI APENAS MAIS UMA QUANDO NÃO TIVEREM MAIS O QUE ESPREMER DE MIM. SÓ QUE EU QUERO MUITO MAIS DO QUE ISSO"

Raça Brasil - De onde vem sua relação com a música?
Negra Li -
Da Igreja Evangélica, que freqüentava quando criança. Meu pai tocava sax e eu cantava hinos. Adorava. Mas em casa não ouvíamos música. Não tínhamos rádio.

Raça - Quando você percebeu que tinha chances de se tornar cantora?
Negra Li -
Numa das apresentações com o grupo do bairro, fui vista pelos meninos do RZO, que são rappers e me convidaram para cantar. Aceitei. Fiquei nove anos com eles, foi muito legal. Nesse meio tempo, participei do coral da USP e aprendi a cantar de verdade. Interpretávamos todo tipo de música, do erudito ao popular.

Raça - E como você conheceu o Chorão, vocalista do Charlie Brown Jr.?
Negra Li -
Na época do RZO. Ele curtia o nosso som e me convidou para participar da música Não É Sério. Foi fantástico, a partir daí ganhei visibilidade fora do mundo do rap. E, também, participei da gravação do clipe e depois do CD acústico deles.

Raça - O convite da Universal Music veio em seguida?
Negra Li -
Eu já estava querendo sair do grupo quando a gravadora me chamou. Levei o projeto de gravar um CD em parceria com o Helião, companheiro do RZO, e eles toparam. A partir daí, criamos as letras e melodias e gravamos o Guerreiro, Guerreira.

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