Os reis da mídia Nossos modelos conquistam cada vez mais espaço no mercado publicitário e marcam presença nos comerciais badalados da TV e nas grandes campanhas que estampam revistas e outdoors
JANAÍNA ESPÍRITO SANTO FOTOS: PRISCILA PRADE
Bonitos, esculturais, sensuais, elegantes e charmosos, eles vendem o que todo mundo compra: roupa, som, celular, refrigerante, produtos de beleza, café, moda e muito mais. Quase dez anos depois do lançamento de Raça Brasil - que abriu as portas do mercado publicitário para uma nova geração de talentos -, os modelos negros estão cada vez mais em evidência na mídia, estrelando campanhas, outdoors, comerciais de TV, capas de revistas, editoriais de moda. Por quê? "As pessoas que trabalham com comunicação finalmente se deram conta de que se o consumidor não se preocupa com as diferenças raciais, eles também não têm que se preocupar, já que a propaganda deve refletir a realidade. Ou seja, não causa nenhuma estranheza ver um negro em um comercial de celular", afirma Sérgio Valente, presidente da agência DM9.
Isso explica por que beldades como Patrícia de Jesus, Sacramento, Alexia, Kenia, Peterson, J. Mattos e Vitor Costa volta e meia aparecem em anúncios, catálogos, na telinha, na telona e em passarelas Brasil afora. Alvo das câmeras e das máquinas fotográficas, eles acreditam que o Brasil está se assumindo e mostrando a cara e que este momento não é uma moda que vai passar.
"Em dez anos as coisas melhoraram muito. Quando comecei, a proporção era uma modelo negra para cada agência e a gente tinha que fazer de tudo, de passarela a campanha. Hoje, temos muito mais espaço, embora ainda estejamos longe do ideal", diz Patrícia de Jesus, 26 anos, um dos belos rostos da nova campanha da maquiagem de O Boticário e referência para as garotas que estão começando a profissão agora. DIVERSIDADE EM ALTA
Famosa por ter sambado ao lado de Zeca Pagodinho no comercial da Brahma, a bela Kenia, 26 anos, também é prova de que, mesmo lenta, a mudança veio para ficar. Afinal, ela também pode ser vista em comerciais como o do Guaraná Antártica, Gillete, Seda e o primeiro da nova campanha da C&A, estrelada por Rick Martin. "As pessoas curtem a mistura, os looks diferenciados e estamos sendo beneficiados por essa visão", aposta a poderosa. "Há oito anos, Taiguara e eu éramos os únicos modelos negros. Agora isso mudou, o mercado ampliou", comemora o experiente Sacramento, com 30 anos de idade.
No mercado há 17 anos, Isabel Cristina de Oliveira, líder dos bookers da agência Ford, acha que essa mudança de comportamento que se vê na moda e na mídia tem apenas uma razão: a valorização da brasilidade. "Os clientes se deram conta de que o Brasil não é feito de loiras e deixaram de seguir o padrão europeu como referência. Hoje, procuram negras de todas as tonalidades e estilos", conta.
"Todo esse avanço ainda é pouco. Estamos no meio do caminho", defende Mônica Monteiro, booker da agência IMG e agente da top Gisele Bündchen. Ela aponta dois motivos que justificam não haver mais negros na mídia: a quantidade de jovens afro-descendentes que procuram as agências de modelo, que acha pequena, e a publicidade, que deveria ser mais abrangente. "Por que comercial de banco sempre mostra um executivo branco, de terno e gravata? Todo mundo tem uma conta, negros, orientais, jovens, velhos, homens, mulheres", argumenta a expert. PÁGINAS :: 1 | 2 | 3 | Próxima >> |