Os donos da voz COM AS CARREIRAS CONSAGRADAS, OS CANTORES ALEXANDRE PIRES E NETINHO DE PAULA UNIRAM-SE PARA MONTAR A DA MASSA, UMA GRAVADORA QUE INVESTIRÁ EM NOVOS TALENTOS DA MÚSICA, MAS TAMBÉM VAI TRAZER ARTISTAS ESQUECIDOS PELA GRANDE MÍDIA
CONCEIÇÃO LOURENÇO FOTOS: PAULO PEREIRA
O
samba ainda é a música mais tocada no Brasil, mas os pagodeiros dos anos
90 desapareceram. Dois nomes continuam firmes: o de Alexandre Pires, 29
anos, e o de José de Paula Neto, 34 anos, o Netinho. Alexandre se fortaleceu
com carreira internacional, e o multimídia Netinho expande os negócios
com licenciamentos de produtos e está prestes a entrar para a política
também. Recentemente o nome Netinho ganhou as páginas, surpreendendo a
todos, por causa de uma agressão à mulher. Separado dela há três meses,
ele fala do assunto: "Numa discussão familiar, me descontrolei e agredi.
Houve uma agressão mútua. Nada justifica uma agressão. Foi um erro. E
não quero que se repita. Acredito que o assunto foi tratado de uma maneira
muito tendenciosa pela mídia.
Mas acho que é um fato já superado. Uma lição pra ser aprendida e que
me deu mais força pra seguir com os meus projetos, com os meus objetivos.
O que mais me deixa triste é que eu errei e isso jamais era pra ter acontecido.
O que aconteceu com o Alexandre [em 2000 o cantor envolveu- se em
acidente de carro e uma pessoa morreu] também foi uma fatalidade,
mas eu acho que o que nós já fizemos de bem pro País é muito mais do que
o que fizemos de ruim", desabafa, concentrado. E, no momento que a indústria
fonográfica mundial atravessa uma grande crise, eles se associam para
montar uma gravadora.
"VAMOS
INVESTIR EM ARTISTAS QUE ESTÃO AÍ E EM NOVOS,
TAMBÉM. VAMOS MOSTRAR QUE COISA BOA TEM VALOR" |
Raça Brasil - Como vão driblar a crise?
Neto - Olha, se vai dar certo ou não é irrelevante. A minha grande
alegria, o que tem de ser comemorado, é o fato de que, quando o povo ler
essa matéria, vai ver eu e o Alexandre Pires juntos e pensar: "Caramba,
os negros no Brasil acordaram. Dois negros, bem-sucedidos, estão se unindo,
pra fazer alguma coisa em prol do nosso movimento".
Raça - Vai derrubar a fama de que os negros não são unidos.
Neto - Exatamente. E com isso vão acontecer outras alianças.
Outros irmãos virão. E eu acho que esta é a grande revolução. O grande
fruto do que aconteceu com a gente. Os pagodeiros dos anos 90. A gente
tá tentando retribuir pra nossa comunidade.
Raça
- De quem foi a idéia [Neto aponta que foi de Alexandre]?
Pires - Não. Na verdade, as idéias se encontraram. O Neto tinha
vontade de abrir um selo, eu também.
Raça - Vão trazer de volta alguns artistas ou investir em novos
talentos?
Pires - Nossa intenção é investir em artistas que estão aí e
em novos, também. Muita gente deixa de acreditar em artistas que não estão
mais na mídia. A intenção é mostrar que coisas boas têm o seu valor, o
seu espaço.
Raça - Vocês conhecem a indústria lá em cima e conhecem, também,
a crise.
Neto - É isso. O grande diferencial é que, pelo fato de a gente
ter sofrido algumas coisas nas gravadoras, a gente não quer simplesmente
que os artistas participem gravando CD. Vamos agenciar este artista. Com
a cantora Eliana de Lima, nossa primeira contratação, a conversa foi muito
franca no sentido de dirigir a carreira dela. Desde visual, assessoria
de imprensa até a área de shows, clipes. Não é simplesmente gravar um
CD, escolher uma música e trabalhar...
Raça - Este será o diferencial?
Neto - A gente não acredita mais em trabalhar um mercado hoje
em dia só com venda de CD. A pirataria é muito grande, então o valor agregado
do CD se torna um pouco mais caro. Você tem, de alguma forma, de subsidiar
o seu investimento. A participação de comissão que a gente tem nos shows
serve exatamente pra investir na carreira.
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