PERFIL NBA
A NBA ESTÁ DE OLHO NO BRASIL O americano Arturo Nuñes, vice-presidente e diretor da Liga para a América Latina, tem grandes planos para o nosso basquete
POR TÂNIA ANGARANI FOTO: MARCELO GRILO
No
que depender do americano Arturo Nuñes, o Brasil será cada vez mais íntimo
da NBA, a principal Liga de basquete do mundo. Além de exportar craques
para jogar nas equipes americanas (no momento, quatro de nossos atletas
atuam nas quadras de lá), os timaços dos Estados Unidos poderão realizar
algumas partidas aqui. Mais: diversos centros comunitários das regiões
carentes das metrópoles já começam a receber ajuda financeira da Liga.
O objetivo de tudo isso é, além de esse esporte ficar cada vez mais popular
entre nós, reforçar a tendência de nosso país tornar-se um celeiro de
jogadores para atuar na Liga. "A NBA da América Latina tem quatro mercados
fundamentais para o nosso negócio. São eles: México, Porto Rico, Argentina
e Brasil", avisa o vice-presidente e diretor-geral para a América Latina.
"Na história do basquete, são os países que mais exportaram jogadores
importantes", conta Nuñes.
De olho nas ótimas performances de nossos meninos, Nenê (Denver Nuggets),
Leandrinho (Phoenix Suns), Anderson Varejão (Cleveland Cavaliers) e Baby
(Toronto Raptors), o executivo da NBA desembarcou recentemente em São
Paulo para encontrar-se com patrocinadores que pretendem realizar, ainda
este ano, alguns jogos da NBA na capital paulista ou no Rio de Janeiro.
Projetos comunitários
Enquanto este plano não vira realidade, a Liga aposta nos programas
sociais. No fim de 2004, executivos da NBA visitaram projetos comunitários
do Rio para realizar parcerias. Entre os escolhidos estão o Projeto Clara
Nunes e o Vila Kennedy. "Doamos a eles bibliotecas e construímos quadras
de basquete. Queremos formar jogadores, mas também cidadãos." Nuñes avisa
que a NBA não está fazendo no Brasil nada diferente do que pratica nos
bairros pobres das cidades americanas. "A criança ativa, que se dedica
ao esporte, muitas vezes supera as coisas ruins da sociedade", ele diz.
Paralelo a esse trabalho, a Liga promove no mundo todo (e agora no Brasil)
o programa Basquete Sem Fronteiras. "No ano passado, o realizamos pela
primeira vez no Rio. Trouxemos 50 jovens talentos da América Latina, entre
15 e 18 anos, para participar de uma oficina de trabalho com colegas brasileiros.
Durante uma semana, cinco veteranos e sete técnicos da Liga deram aulas
a eles", diz Nunes. Nada garante que todos esses garotos um dia estarão
jogando na NBA, mas esse trabalho ajuda a aumentar o nível do basquete
jogado nos países em que é realizado. "Não é exagero dizer que o desempenho
dos jogadores de várias partes do mundo melhorou. A última Olimpíada,
na Grécia, é prova disso. O time americano perdeu o ouro para a Argentina."
"A
criança ativa, que se dedica ao esporte, muitas vezes supera as
coisas ruins da sociedade. Ter mais meninos jogando ajuda também
a aliviar os problemas sociais "
|
Novo idioma, nova pátria
O executivo é defensor dos "programas de educação" idealizados pela NBA
para os novos jogadores estrangeiros, no qual, entre outras coisas, aprendem
o novo idioma, como investir o dinheiro e lidar com várias situações na
nova "pátria". Entre elas, o racismo. Embora mais de 80% dos craques do
basquete americano sejam negros, isso não os impede de ser alvo dele.
Mas verdade seja dita: o preconceito é mais comum de acontecer com as
pessoas anônimas e não com ídolos esportivos.
Filho de um estivador cubano e de uma dona de casa venezuelana, e nascido
no Harlem, o mais negro dos bairros de Nova York, Arturo Nuñes é um vencedor
- mas a maioria dos amigos de infância não alcançaram a projeção dele.
"Para eu chegar até aqui não foi fácil. E, ainda hoje, quando sento para
negociar, tenho de provar que sou bom, mesmo. Mas a gente se acostuma
a fazê-lo. Não vou deixar que isso me impeça de prosseguir. Ainda bem
que, ano após ano, as coisas estão mudando para melhor." |