Universidade para todos Enquanto a polêmica discussão sobre cotas esquenta, programas do governo federal, como o ProUni, garantem bolsa total ou parcial aos estudantes que querem cursar o ensino superior
POR SILVANA REGINA INÁCIO
A
expressão Ação Afirmativa ainda não soa com clareza para os brasileiros.
Por não saberem ao certo do que se trata, remetem à caridade ou algo assim.
Ação Afirmativa nada mais é do que o reconhecimento de que o princípio
da igualdade de todos perante a lei é insuficiente para garanti-la entre
os cidadãos.
O reconhecimento das desigualdades pelos governos e pela sociedade é
importante para que ações busquem eliminá-las. Essa idéia nasceu nos Estados
Unidos, há mais de 40 anos, com o movimento dos direitos civis. O resultado
é o grande número de negros nas universidades e consequëntemente o acesso
a bons cargos em grandes empresas.
Aqui no Brasil, o conceito vem sendo debatido nos últimos anos pelos
grupos que defendem nossos direitos e já chegou ao Congresso Nacional,
em uma versão bem brasileira. Todos sabemos que existem desigualdades
no Brasil. A pequena presença de negros nas universidades, nos altos cargos
das grandes empresas, na política ou nos meios de comunicação é um fato.
Embora esses números venham crescendo, ainda é muito menor do que a parcela
negra da população brasileira. A pergunta é: como mudar essa situação?
Além do sistema de cotas que já beneficia afro-descendentes, o governo
federal colocou em prática outros programas, entre eles, o ProUni (Programa
Universidade Para Todos) e o Bolsa Família.
Comprovação de renda familiar
O ProUni oferece anualmente concessão de bolsas de estudo integrais
e parciais (meia-bolsa) para cursos de graduação e seqüências de formação
específica, em instituições privadas, com ou sem fins lucrativos. Para
concorrer a uma bolsa de estudo, o aluno precisa ter participado do Exame
Nacional do Ensino Médio (Enem) e apresentar renda familiar per capita
de até três salários mínimos. Além disso, é necessário obedecer a alguns
critérios, como ter cursado o ensino médio completo em escola pública
ou instituição privada com bolsa integral, ser portador de necessidades
especiais ou atuar como professor da rede pública de educação básica,
no efetivo exercício do magistério e integrando o quadro de pessoal permanente
da instituição, desde que esteja buscando vaga em curso de licenciatura
ou de Pedagogia. Neste caso, a apresentação de renda familiar não é necessária.
Para a estudante Andréa Rocha da Paixão, 28 anos, de São Paulo, não
foi difícil conseguir a bolsa. Ela está cursando o primeiro ano de Administração
em Recursos Humanos, na Faculdade Radial, de São Paulo. "Tenho alguns
amigos com esse perfil e são pré-selecionados, mas ainda não conseguiram
fazer o vestibular. O curso é muito bom", conta. Não existe discriminação
da faculdade com os alunos que fazem parte do ProUni. Não tenho bolsa
integral, é de 50%, mas foi uma grande chance. Com o salário que ganho
não dava para fazer faculdade. Apesar de ser um projeto novo, acho melhor
do que o Bolsa da Família", conclui.
"Eu
sempre quis cursar uma faculdade, mas não tinha condições de pagar.
Consegui bolsa de 50% e estou superfeliz. Mas é puxado. Aos sábados
e domingos, trabalho em uma escola, porque esta é uma condição
do programa"
ANA
FLÁVIA GONÇALVES
FERREIRA, 28 ANOS
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