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  NOSSO REI NO ARIZONA
Aos 22 anos, Leandro Mateus Barbosa, o armador Leandrinho, conquista espaço na maior liga de basquete do mundo e vive o momento mais especial da carreira com a camiseta do time americano Phoenix Suns

POR TANIA ANGARANI

FOTOS: NBAE/GETTY IMAGESFoi Artur, o filho mais velho de dona Ivete e seu Vicente, quem fez o basquete virar paixão na família Barbosa. Desde que ele começou a jogar em equipes amadoras, cesta, garrafão, rebote viraram assuntos em almoços e jantares na casa do bairro da Freguesia do Ó, em São Paulo, que reunia ao redor da mesa os cinco herdeiros do casal - três homens e duas mulheres. Mas foi o caçula quem chegou longe com a bola laranja nas mãos. Influenciado pelo mano, o temporão Leandro - quando ele nasceu, Artur tinha 21 anos - foi parar na Seleção Brasileira, tornou-se herói de todos os times por onde passou (o último foi o Bauru), e hoje brilha na maior liga de basquete do mundo: a NBA. Leandro Mateus Barbosa, que os brasileiros conhecem como Leandrinho, e os americanos chamam de Barbosa, há dois anos defende o Phoenix Suns, equipe do Estado do Arizona.

A trajetória de Leandrinho na liga que reúne os maiores jogadores de basquete do planeta começou a se desenhar no início de 2003, quando o jovem, então com 20 anos, foi convidado a participar da espécie de vestibular anual realizado pela NBA, com talentos do basquete americano e de outras partes do mundo. Em vez de provas de Matemática, História, Geografia..., as da NBA avaliam o desempenho dos jogadores nas quadras, nos pesados exercícios físicos e no questionário psicotécnico de 50 perguntas para serem respondidas em cinco minutos.

"Agarrei o convite para nba com unhas e dentes porque sempre acreditei que temos de correr atrás dos sonhos. E que são eles que nos fazem crescer"

Orgulho da família

Sem saber se comunicar em inglês, Leandrinho viajou aos Estados Unidos acompanhado do irmão, Marcelo, para a grande jornada da vida profissional. "Desde pequeno, eu sonhava em jogar na NBA. Aliás, esse também era o sonho de toda a minha família. Agarrei o convite com unhas e dentes porque sempre acreditei que temos de correr atrás dos sonhos, porque são eles que nos fazem crescer", diz.

O armador da Seleção Brasileira desembarcou em solo americano para disputar 20 vagas com 58 craques, 37 deles americanos. A peregrinação de treinamentos incluiu diversas equipes de vários Estados - como Memphis, Boston e Seattle. De cidade em cidade, de time em time, cumpriu o ritual.

Leandrinho impressionou os técnicos americanos com a altura (1,90 m), acima do normal para um armador de jogadas, e envergadura (2,10 m), um espanto para um jogador com pouco mais de 20 anos. Resultado: o brasileiro seduziu o Phoenix Suns após um único teste de avaliação. Em abril de 2003, o filho de dona Ivete afivelou as malas, dessa vez para viver em Phoenix, a capital do Arizona, sede do time que o contratou por 2 milhões de dólares para jogar por três anos.

A pedido dos pais, Marcelo continuou ao lado do irmão. "Um faz companhia para o outro, um ajuda o outro, e nós ficamos mais tranqüilos aqui no Brasil", explica a mãe coruja ("De todos os filhos e não só do Leandro", como ela faz questão de dizer). O caçulinha bem que queria ter dona Ivete sempre por perto, mas sabe que isso é impossível, o pai, doente, também precisa dela. Para que os dois não fiquem sem se falar, Leandrinho instalou um radiotransmissor nas duas casas. "Não passo um dia sem ouvir a voz dele", conta a mãe do armador.


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