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  Sheron Menezes talentosa, batalhadora e linda
A atriz gaúcha vive um grande momento profissional na pele da doce Rosário, de Como uma Onda, a novela das 6 da Globo, e abre o coração para Raça Brasil

POR SANDRA ALMADA
FOTOS: NANA MORAES

Sheron Menezes não desiste fácil. Apesar de linda e talentosa, a jovem de 21 anos só chegou à tela da Globo graças à determinação. Outras garotas (negras ou brancas) no lugar dela teriam desistido no meio do caminho. Não é qualquer uma que suporta colecionar uma série de "nãos" nos testes de atriz e continuar lutando. "Nunca duvidei de mim", avisa a filha da auditora Vera Lúcia, e do contador Haroldo, que vivem em Porto Alegre com os outros três filhos. O segredo de tanta confiança? A educação que recebeu da mãe, uma militante da causa negra no Rio Grande do Sul. "Desde pequena aprendi que a gente tem de se valorizar", avisa a atriz que, aos 13 anos, dividia o tempo entre os estudos, a profissão de modelo e o curso de teatro.

"Quando os negros vêem que as coisas estão melhorando, a auto-estima fica mais forte. Quando fortalecemos a auto-estima, tudo melhora"

Aos 18 anos, Sheron mudou-se, sozinha, para o Rio disposta a trabalhar em novelas globais. Após quase dois anos de testes, finalmente foi escalada para a primeira produção da emissora, Esperança. Em seguida, atuou em Celebridade. Hoje faz par romântico com o bonitão Cauã Reymond, na novela das 6, Como Uma Onda - na verdade, a primeira em que não interpreta escrava ou empregada doméstica. A bela Rosário é resultado da força e determinação de Sheron para enfrentar as dificuldades. "Não sou de ficar chorando pelos cantos. O racismo não me derruba. Sou mais forte do que ele."

Raça Brasil - Como você foi descoberta pela Globo?

Sheron Menezes - Durante dois anos, fiz diversos testes para várias produções da emissora. Tentei um lugar em Malhação, no seriado Sandy e Junior, na novela Um Anjo Caiu do Céu e na talentosa, batalhadora e S Sheron Menezes minissérie O Quinto dos Infernos. Não fui aprovada em nenhum deles, mas nunca desisti. Em 2002, soube que Luiz Fernando Carvalho [diretor] e Benedito Rui Barbosa [autor] estavam à procura de uma atriz para viver Júlia, a escrava da novela Esperança. Eu não me encaixava no perfil da personagem, mas eles gostaram de mim. Devo minha estréia aos dois. Depois fiz Celebridade e agora estou em Como Uma Onda.

"Claro que devo ter vivido situações de racismo, mas minha mãe me ensinou a ser tão otimista, que nem as percebo. É o tipo de coisa que nunca vai me magoar. Sou mais forte que isso"

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