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Independência da Bahia
  A consolidação da independência do Brasil
Para muitos brasileiros a frase "Independência ou morte", proferida por D. Pedro, às margens do rio Ipiranga, marcou a separação entre o Brasil e sua antiga Metrópole, Portugal. Entretanto, a história da Independência foi mais complexa, e tem na independência da Bahia - através da luta do povo baiano - um de seus mais importantes capítulos

Em Salvador, capital da colônia entre 1549 e 1763, as insatisfações que levariam ao rompimento total com Portugal podem ser vistas já no final do século 18. O sistema de estratificação social foi contestado por várias rebeliões das populações negras (escravos, libertos e livres), que levantaram-se coletivamente contra a escravidão. Em 1798, líderes negros propuseram ao conjunto de trabalhadores mecânicos e aos brancos liberais uma revolução libertária e democrática, aos moldes da Revolução Francesa de 1789, que ficou conhecida como Revolução dos Búzios, reprimida cruelmente. Esses episódios teriam importância singular anos mais tarde, quando essa mesma população negra alistou-se maciçamente no Exército Pacificador e, mesmo depois da ruptura com a metrópole portuguesa, lutaram bravamente por uma sociedade mais justa e igualitária, com destaque para a participação na Revolução da Sabinada, em 1837 e 1838, quando foram vítimas do mais terrível genocídio.

" Sitiada em Salvador, a legião constitucional - tropa portuguesa dirigida na Bahia por madeira de melo - se retirou na madrugada do dia 2 de julho de 1823. Aos primeiros raios do sol daquele dia, o exército pacificador entrou orgulhoso na cidade de salvador para celebrar a vitória contra o conservadorismo e a opressão "

Somado aos levantes dos negros, outro aspecto que animou a luta pela Independência foi a oposição entre as elites portuguesas e as elites coloniais brasileiras. Embora algumas vezes solidários entre si - como nos termos do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves -, divergem radicalmente quanto à reorganização do Império Português, tendo na proposta portuguesa de recolonização do Brasil seu ponto de discórdia. Os deputados brasileiros fiéis às Cortes de Lisboa (Assembléia Constituinte do Império) rejeitaram definitivamente a proposta e mobilizaram suas Câmaras nas províncias para a Independência. Na Bahia, os primeiros conflitos ocorreram em 1821 - portanto, antes do grito do Ipiranga -, com mobilizações de militares e civis baianos que passaram a desafiar a Junta Provisória, dominada pelos portugueses. A situação ganhou contornos de confronto direto com a notícia da nomeação do brigadeiro Madeira de Melo para governar a Bahia. Daí em diante, ocorreram vários embates entre tropas brasileiras e portuguesas, tendo como saldo a tomada do Forte de São Pedro (no centro de Salvador) pelos lusitanos e a morte da Abadessa Sóror do Convento da Lapa, Joana Angélica, quando tentava impedir o ingresso de soldados portugueses no claustro feminino.

" Sem a Bahia, o novo país perderia uma das mais ricas e estrategicamente bem localizadas províncias do território, comprometendo a adesão de todo o norte (Maranhão e Pará) à causa da independência "

São Pedro e a nomeação de Madeira de Melo para o governo da província, em março de 1822, dezenas de famílias e soldados brasileiros começaram a deixar Salvador rumo às vilas do Recôncavo (Santo Amaro, Cachoeira, São Francisco do Conde), onde foi organizada a resistência à ocupação portuguesa concentrada em Salvador. Localidades baianas reconheceram D. Pedro I como defensor perpétuo do Brasil, e reuniram voluntários e colaboraram com mantimentos e armamentos para formar o exército brasileiro que organizou a resistência.

Nos meses seguintes, a Bahia assistiu batalhas por terra e mar, tendo à frente o Exército Pacificador comandado pelo General Pierre Labatut. Esses conflitos ocorreram em Pirajá, Ilha de Itaparica, Canal do Funil, Cachoeira e no interior da Baía de Todos os Santos. As batalhas, com características de guerra civil, alcançaram seu ponto máximo entre maio e junho de 1823, quando, após a deposição de Labatut, o coronel Joaquim José de Lima e Silva assumiu o comando das tropas e comandou o cerco por terra à Salvador, auxiliado no mar pela esquadra comandada por Lord Cocharne.

Sitiada em Salvador, a Legião Constitucional - tropa portuguesa dirigida na Bahia por Madeira de Melo - se retirou na madrugada do dia 2 de julho de 1823. Aos primeiros raios do sol daquele dia, o Exército Pacificador entrou orgulhoso na cidade de Salvador para celebrar a vitória contra o conservadorismo e a opressão. A guerra pela Independência do Brasil na Bahia foi um conflito relativamente curto (pouco mais de um ano), mas foi um dos episódios mais importantes para a consolidação da ideia de unidade do território brasileiro. Basta lembrar que, sem a Bahia, o novo país perderia uma das mais ricas e estrategicamente bem localizadas províncias do território, comprometendo a adesão de todo o Norte (Maranhão e Pará) à causa da Independência. Para Portugal, o controle da Bahia poderia, por exemplo, permitir possíveis investidas de reconquistar o Brasil. Ou seja, o desfecho do conflito no solo baiano interessava muito a ambos os lados, e a vitória dos partidários da causa do Brasil na Bahia foi fundamental para definir o que somos hoje como nação.

"A vitória dos partidários da causa do Brasil na Bahia foi fundamental para definir quem somos hoje como nação"


Ubiratan Castro de Araujo, é escritor, membro da Academia de Letras da Bahia, Doutor em História pela Sorbonne - Paris VI, Professor Adjunto da Universidade Federal da Bahia e Diretor Geral da Fundação Pedro Calmon, unidade da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia

 

Quem escreveu essa história?

Conheça os personagens que fizeram do 2 de julho
uma grande e bonita realidade

 

Lord Cochrane
Poucos baianos conhecem a trajetória desse aventureiro britânico. Lord Cochrane, ou Conde de Dundonald ou ainda Marquês do Maranhão, ingressou na Marinha Real Britânica aos 18 anos. Recebeu o apelido de Lobo do Mar, dado por Napoleão Bonaparte, e El Diablo, como ficou conhecido entre os espanhóis. Teve papel marcante na Independência do Brasil e da Bahia, principalmente interceptando navios portugueses na Baía de Todos os Santos e, de certa forma, amedrontando os adversários lusitanos devido a sua fama.

 

 

 

 

 

 

 


General Pedro Labatut
Conhecido como Pirata do Caribe, este militar francês integrou o exército de Napoleão e tinha vasta experiência nas guerras na América espanhola. Contratado pelo governo de Dom Pedro para chefiar as lutas contra a ocupação portuguesa na Bahia, sua chegada mudou os rumos da guerra no solo baiano. O general foi responsável pela organização do chamado Exército Pacificador, que transformou grupos armados e dispersos sob o comando de civis, em um exército disciplinado, forte e leal a Dom Pedro.

 

 

 

 

 


 

 

Coronel Joaquim José de Lima e Silva
Após a prisão do General Pedro Labatut, Joaquim José ficou no comando do Exército Pacificador e chegou vitorioso - junto com as tropas brasileiras - às ruas de Salvador em 2 de julho de 1823. Como grande homenagem, Lima e Silva dá nome hoje a mais importante rua do bairro da Liberdade, na capital baiana.














Com roupas masculinas (cedidas por um cunhado), Maria Quitéria se apresentou como 'soldado Medeiros' ao batalhão dos voluntários do príncipe, chamado 'dos periquitos', por causa da cor verde

 

Maria Quitéria
Nasceu na freguesia de São João de Itaporocas (campos da Cachoeira), em 1798. Diz a história que Maria Quitéria deixou a fazenda do pai assim que soube das notícias dos acontecimentos de 25 de junho de 1822, na Vila Cachoeira. Com roupas masculinas (cedidas por um cunhado), ela se apresentou como soldado Medeiros ao Batalhão dos Voluntários do Príncipe, chamado "dos Periquitos", por causa da cor verde da farda. Por sua bravura em combate, o general Pedro Labatut conferiu à Maria Quitéria as honras de 1º cadete. Ela também participou do desfile das tropas brasileiras em Salvador no dia 2 de julho de 1823.


 

 


 

 



Joana Angélica
Desde cedo com inclinações religiosas, ingressou no Convento da Lapa aos 21 anos de idade. Em fevereiro de 1822, quando Joana Angélica era abadessa sóror no referido convento, tropas portuguesas invadiram o local, acreditando que lá estavam oficiais brasileiros escondidos, além de armas e munições. Corajosa, Joana tentou evitar a entrada dos soldados e se colocou à frente das tropas. Mesmo assim, as tropas lusitanas invadiram o convento e feriram a abadessa, que morreu pouco tempo depois, em 20 de fevereiro do mesmo ano.

 

 

 

 

 

 

 

 


Maria Felipa atuou na guerra como enfermeira e como uma eficiente informante, mas ganhou fama no episódio em que liderou um grupo de 40 outras corajosas mulheres contra soldados portugueses


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