Curtas
Kandandu, Povo Banto! Um caldeirão de bobagens ou uma excelente escola? As redes sociais podem ser ambas as coisas e mil outras mais
por Oswaldo Faustino
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Ilustração da rainha Nzinga em negociações de Paz com o governador português em Luanda em 1657 |
Para mim, além da reaproximação de amigos antigos e a multiplicação dos novos, tem sido terreno de aprendizado muito interessante, graças a contatos como o de Totti Angola, o amigo angolano que vive na Holanda (já mencionado aqui), que sempre nos cumprimenta com a expressão: Kandandu!
Defensor ardoroso da influência da cultura banto em toda a diáspora africana, ele explica que essa palavra, de origem kimbundo, que pode ser traduzida como “abraço fraterno”, vai muito além do movimento de braços que se abrem e fecham, envolvendo o corpo alheio: “É um recado oral prezado em sentidos, digno de estima, pilar da nossa humildade e hospitalidade. Refere-se ao nosso respeito mútuo e à nossa filosofia, poesia e conhecimento científico do mundo através da sabedoria banto.” E, por falar nos povos bantos, ancestrais da maioria dos afro- brasileiros, em dezembro de 2013 completam-se 350 anos da morte da N’gola N’zinga M’bande, a poderosa rainha dos impérios de N’Dongo e Matamba, que floresceram na região onde hoje é Angola e parte do Congo. Temos praticamente dois anos para preparar as homenagens à poderosa guerreira que utilizou a diplomacia para combater a destruição de seu povo pelos invasores portugueses. Aqui no Brasil, N’Zinga é reverenciada, com o nome de Rainha Ginga, nas Festas de Reis e Congados, que não deixam morrer a lembrança gloriosa de impérios africanos. É assim que nos reconhecemos e nos identificamos como herdeiros de suas riquezas culturais sem fim. Kandandu, N’gola!

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