Negros
Consciência negra Em clima de protesto - e muitas marchas contra intolerância religiosa - o 20 de novembro em Salvador serviu como encerramento do Ano Internacional dos Afrodescendentes, instituído em 2011 pela Organização das Nações Unidas (ONU)
POR MAURICIO PESTANA
Chefes de estados e representante de 14 países estiveram na capital baiana para o Encontro Iberoamericano do Ano Internacional dos Afrodescendentes (Afro XXI), com o propósito de discutir os rumos das políticas de inclusão e refletir quais os avanços que a humanidade colheu 10 anos após a Conferência Internacional de Durban, na África do Sul, onde o Brasil teve papel de destaque, inclusive trazendo para si a relatoria do encontro.
 |
Embora tenha ocorrido alguns avanços, principalmente na área do acesso à educação, em que o número de negros nas universidades mais que quadriplicou, além de mais de 100 universidades em todo o Brasil com programas de ações afirmativas, o que se viu em Salvador foi muito protesto, tanto de artistas negros, por não se verem contemplados no evento, como de lideranças de religiões de matrizes africanas, que bradaram contra a intolerância religiosa e reivindicaram uma maior inserção do tema nas discussões centrais do encontro. Descontente também estava grande parte do movimento negro com os boatos da junção da Secretaria da Promoção da Igualdade Racial (Seppir) com a Secretaria de Direitos Humanos e Secretaria da Mulher, algo que estaria sendo planejado para ser implementado na reforma ministerial de 2012.
"A NEGRITUDE NÃO QUER ESMOLAS, MAS OPORTUNIDADES E DIREITOS IGUAIS."
HERANÇA DA ESCRAVIDÃO
O ponto alto do Afro XXI ficou com os diversos palestrantes do Brasil e do exterior – como Sueli Carneiro, do Geledes – que em seus discursos discorreram sobre a atual situação do negro na África e na diáspora. A conferência terminou com a presidente da República, Dilma Rousseff ressaltando a “invisibilidade da pobreza e a miséria” como a herança mais marcante da escravidão. Segundo ela, atrelada a essa herança, veio a visão das “elites”, de que o Brasil poderia crescer “sem distribuir renda e incluir”, e ainda lembrou de programas sociais do ex-presidente Lula e seu lema: “País rico é país sem pobreza”. “Os afrodescendentes são os que mais sofrem com o desemprego, a violência e a extrema pobreza. Reverter esse quadro é o objetivo da Carta de Salvador”, afirmou Dilma, defendendo as políticas públicas de promoção da igualdade racial.
 |
Luiza Bairros, ministra de Políticas de Promoção da Igualdade Racial |
Presidente Dilma Rousseff e demais chefes de Estado |
PÁGINAS :: 1 | 2 | 3 | Próxima >> |