Sem passar pela vida em branco: memórias de uma guerreira (Pallas Editora) é o contundente relato de situações e fatos conflitantes vividos por Jurema Batista, uma batalhadora que, após uma trajetória permeada de incansáveis lutas em busca da conquista de direitos, soube reverter a imagem da menina negra e pobre. Fragilizada e sem esperança, vítima da discriminação racial e das diferenças existentes na sociedade brasileira, revelou-se uma mulher forte, reconhecidamente empreendedora e que garantiu, por meio da transparência de seus posicionamentos e convicções, a dignidade e o respeito da população carioca. Apoiando-se nesses traços de personalidade e identidade, fez-se entender construtora da cidadania e do pensamento brasileiro, tornando-se então protagonista e não figurante passiva de sua própria história.
EXPERIÊNCIAS DE EMANCIPAÇÃO
A obra, organizada por Flávio Gomes e Petrônio Domingues, traz artigos sobre personalidades, instituições e movimentos negros que tiveram importância fundamental na construção da sociedade brasileira pós-abolição e lutaram contra o racismo, o preconceito racial e a desigualdade. O lançamento é da Selo Negro Edições.
SOBREVIVI PARA CONTAR
Nascida e criada em Ruanda, Immaculée Ilibagiza (que recentemente visitou o Brasil) sobreviveu ao massacre histórico ocorrido no país africano em 1994, quando os hutus exterminaram quase 1 milhão de tutsi. Para escapar da morte, Immaculée se escondeu na casa de um pastor, onde dividiu o espaço de um banheiro com mais 7 mulheres, durante 91 dias. “Compreendi que minha batalha para sobreviver seria travada em meu interior. Se eu perdesse a fé, não sobreviveria”, relata. Ao sair, havia perdido 23 quilos, carregava uma Bíblia, um dicionário de inglês e um rosário. Após sofrer com a perda de sua família e amigos, e sobreviver em condições de vida precária, ela surpreendeu a todos, perdoando os assassinos e torturadores. Depois de recuperada, passou a trabalhar na Organização das Nações Unidas (ONU). Em 1998 mudou-se para Nova York e continuou a trabalhar nos escritórios da organização durante vários anos. Hoje, tem sua própria família e viaja o mundo realizando conferências. Best Seller!
OS ROSÁRIOS DOS ANGOLAS
As irmandades do Rosário na Bahia, desde as primeiras fundações em meados do século 17, até o final do século 19, foram, em sua maioria absoluta, instituídas e dirigidas por africanos angolas e seus parceiros crioulos. Este fenômeno indica uma valorização deste espaço por parte dos angolas, mais do que por qualquer outro grupo de africanos. A identificação com as confrarias católicas aponta para a importância do catolicismo na África Central e, ao mesmo tempo, ressalta este elemento como fundamental na constituição de uma identidade particular dentro da comunidade escrava e da sociedade baiana em geral. Este livro também aborda o papel das irmandades na experiência dos escravos em Portugal, sugerindo uma perspectiva de investigação da história da devoção ao Rosário, das confrarias negras e da identidade angola ao longo do século 18 e circulando por três continentes.
Denúncias e polêmicas Os ecos de uma sociedade onde o racismo ainda marca as relações sociais chegaram às Ouvidorias Permanentes em Defesa da Igualdade Racial, distribuídas em todo o Brasil. A polêmica em torno do livro Caçadas de Pedrinho, de Monteiro Lobato, coloca o tema em debate e resgata histórias
GOG denuncia O rapper lança o seu primeiro livro, A Rima Denúncia, uma reunião de letras contundentes do ativista cultural e político de Brasília, considerado um intelectual do movimento hip hop. Na obra, ele passa a limpo a história recente do Brasil, pontuando suas mudanças e constatando suas mazelas