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Angola
  Logo ali ali, depois do oceano...
As ondas que nos separam nada representam diante das que nos unem. Hoje, Angola e Brasil estão muito mais próximos do que se pode imaginar. Diariamente um grande número de angolanos assiste à programação de TVs brasileiras. Só os brasileiros pouco ou nada sabem a respeito desse país-irmão

Oswaldo Faustino

FOTOS DIVULGAÇÃO

Passear à noite pelas ruas de São Paulo com meus amigos Messias Constantino e Mario Paiva, ambos de Luanda, diretores da Associação de Jornalistas Económicos de Angola (AJECO), revelou as imagens que o Brasil está enviando mundo afora. "Muita gente de minha cidade jamais faria o que estamos fazendo - comentou Mário -, por causa de programas policiais e noticiários veiculados pelas TVs Record e Globo, que assistimos lá. Elas imaginam que, a qualquer momento, serão assaltadas ou vítimas de uma bala perdida." Também dirigente da Federação dos Jornalistas de Língua Portuguesa, Messias concorda com o colega e lamenta que seja essa a imagem brasileira veiculada em Angola: "O Brasil é um país encantador e temos inúmeras coisas em comum. É uma pena que essa comunicação não seja de mão dupla. Na programação das televisões aqui, em todas as minhas visitas, nunca vi uma única menção a Angola e à nossa cultura", diz. Todos estranham quando ele menciona alguns ritmos musicais angolanos, como semba - que teria influenciado a origem do nosso samba -, maringa, kabetula, kazukuta, caduque e rebita. E riem diante dos nomes de algumas danças populares, como o kuduro e a tarraxinha.

Assim como todo o continente africano, e, apesar da língua em comum, Angola é grande desconhecida dos brasileiros. Numa reunião de empresários angolanos que vivem em São Paulo, há alguns anos, um deles me alertou: "O senhor afirma que Angola é um país de negros? Pois está enganado. Angola é um país de todos."

A ANGOLA DO PASSADO

A origem do nome Angola deve-se ao mais próspero dos reinos que existiram naquela região, o de N'dongo, cujo rei ou rainha tinha o título N'gola. Durante décadas, o N'gola Kiluange manteve aliança com os estados vizinhos para resistir à invasão estrangeira. No início do século XVII, estava no poder a N'gola N'zinga M'bandi, filha de Kiluange, também chamada de Rainha Jinga (ou Ginga) - cuja fama chegou ao Brasil e hoje é cultuada principalmente nos estados do Maranhão e da Bahia. Política astuta, ela uniu o N'dongo a Matamba, e tornou-se N'gola dos dois reinos. Acordos quebrados, ela criou quilombos, aliou-se aos holandeses e aos jagas no combate a Portugal. Foram 40 anos de resistência. Em 1659, N'zinga assinou um tratado de paz com Portugal e reinou no N'dongo até morrer, em 1663, aos 80 anos.


Pedro Lourenço quer ser presidente do país

A Conferência de Berlim, de fevereiro de 1884 a fevereiro de 1885, reconheceu a posse de Angola e demais países lusófonos a Portugal. Na segunda metade do século 20, iniciaram-se confrontos promovidos pelos grupos rebeldes Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), criada por Jonas Savimbi, que guerreava no sul do país, e a Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), de Holden Roberto.

O país conquistou sua independência em 1975, através de um acordo político que só foi possível após a derrubada do ditador português António de Oliveira Salazar. O acordo previa que os três grupos transformados em partidos políticos teriam representação no poder. Acordo quebrado, iniciou-se a guerra civil que vitimou cerca de 500 mil angolanos e só se encerrou com a morte de Savimbi, em 2002. Até o início do século 21, o país viveu em clima de guerra interna e com países vizinhos como a África do Sul.

Paralelamente, a Frente para a Libertação do Enclave de Cabinda (FLEC), também realizava guerrilha separatista pela independência da província de Cabinda, de onde é extraído cerca de 70% do petróleo exportado de Angola. Esse conflito ainda dura, apesar de ter se abrandado nos últimos anos.

UM OLHAR BRASILEIRO

Muitos cidadãos brasileiros como Ivair Augusto Alves dos Santos, assessor especial e secretário executivo do Conselho Nacional de Combate à Discriminação (CNCD), viveram a atrocidade das guerras angolanas. Nos anos 70, ele foi contratado pela UNESCO para trabalhar em Angola. "Motivado pela oportunidade de viver três meses naquele país, acabei ficando por três anos. Angola estava em guerra com a África do Sul. A experiência de viver em um país em guerra marca qualquer ser humano, ainda mais um jovem negro brasileiro, com ideias e sonhos de viver em um país africano.

A guerra impõe hábitos, disciplina e altera o relacionamento entre as pessoas. A precariedade da infraestrutura da capital, Luanda, piorou muito, com a migração dos refugiados da guerra", conta. Por outro lado, Ivair impressionou-se com a hospitalidade e a amabilidade do povo angolano com relação aos brasileiros e belezas naturais do país. "Estive na região do antigo Reino do Congo, onde me deparei com uma arquitetura que me deixou a forte convicção de uma desenvolvida civilização africana pré-colonial. Quando me perguntam que países visitar na África, digo, com muita tranquilidade, para começar pela província angolana do Zaire. Para além dos atrativos da natureza, a história dos negros brasileiros passa por aquelas regiões."



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