Eu acredito em educação Esqueça tudo o que você conhece sobre Anderson Silva, o popular Aranha, 4 vezes campeão mundial de vale-tudo, ídolo do Ultimate Fighintg Championship (UFC) e de milhões de fãs espalhados pelos quatro cantos do planeta.
Por André Rezende fotos Rafael Cusato
Imagino a situação: uma casa de militares, disciplina rígida e uma importância enorme aos estudos, e você decide virar lutador...
É, foi muito difícil chegar até aqui. Eu treinava escondido da minha tia, que não aceitava o fato. Ela dizia: “Poxa, eu não quero que você treine esse negócio, você tem que estudar e seguir a carreira militar como todos em casa”. Foi muita ralação mesmo. Limpei muita academia e treinava, treinava, até que as coisas foram acontecendo muito rápido. Tive muitas oportunidades e pessoas que me ajudaram na carreira.
Falando nela, você tem uma fama internacional difícil de dimensionar, uma legião de fãs no mundo inteiro, outdoor imenso na famosa Times Square, nos Estados Unidos, enfim, um reconhecimento que no Brasil pouco existe. Como você lida com isso?
Era complicado, sabe! Anos atrás, até ficava chateado por não ter o meu trabalho reconhecido no meu próprio país, mas as coisas estão caminhando de uma forma bacana nesse sentido. Hoje sou reconhecido, as pessoas perguntam sobre o meu dia a dia e se interessam pelo esporte. Sinto-me um brasileiro feliz por servir de referência para muitas crianças e jovens do Brasil.
O próprio UFC está se popularizando por aqui, né?
O esporte é muito novo, Mas temos grandes campeões, aqui e lá fora. Hoje, o UFC tem uma audiência enorme, que está batendo o SuperBoll, que é o top dos esportes na América. No Brasil, as coisas também estão mudando pra melhor.
Falam que você brinca durante a luta e até desrespeita os adversários.
Eu não cheguei aonde estou, com quatro títulos mundiais em organizações diferentes, desrespeitando os meus adversários. Procuro fazer a minha luta, me apresentar bem e trazer a vitória. E não apenas para a minha equipe, mas também para a minha família e o meu país.
Percebo que o sentimento de patriotismo é muito forte em você.
Ah, eu sou brasileiro e não nego.
Levo o meu país sempre no coração, o tempo todo. Eu cheguei até aqui com a ajuda de tantas pessoas, tantos professores que prefiro falar sempre em nós, não apenas em mim, na minha vitória, na minha conquista. Os títulos que eu ganho não são apenas meus. São títulos brasileiros e de todas as pessoas que me ajudaram a chegar até aqui.
E a consciência negra de Anderson Silva, é ativa?
Então, como um negro e brasileiro que sou, tenho que representar sempre muito bem, não só o meu país, mas a minha origem e a minha raça. Isso está incutido em mim, em toda a minha família e acredito que em todos os negros. É uma referência que temos, a nossa história, a nossa trajetória como cidadão. Eu não me considero um militante, mas procuro fazer jus a todos os direitos que temos, não só de nós negros, mas de todos os brasileiros.
Preconceito racial, já sofreu com isso?
Sofri várias vezes. Numa ocasião, quando trabalhava no McDonalds, era um domingo e o balcão estava muito cheio. Chegou um senhor, parou na minha frente e perguntou se não tinha ninguém para atende-lo. Eu disse que estava ali para isso e ele respondeu que não gostaria de ser atendido por um negro.
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