Negros do Mundo Afro-descendentes de vários países contam como é viver no Brasil
por Janaina Azevedo
Um lugar único
O músico Derrick Green, 38 anos (nascido em Ohio - onde ficou até os 22 anos - e ex-morador de Nova York), chegou ao país há mais de 10 anos, quando assumiu o posto de vocalista da banda Sepultura. Completamente adaptado, Derrick é outro estrangeiro que diz amar o Brasil que, segundo ele, é um lugar único para se viver. “Em todo o mundo, não há lugar como aqui. Fico muito orgulhoso de fazer parte de tudo isso”, declara. A integração é tanta que Derrick já fala com naturalidade sobre os problemas brasileiros e ainda arrisca soluções. “Eu diria que aqui falta mais respeito pelas leis, em todos os níveis, desde os políticos corruptos até o cidadão em geral. É importante fornecer uma boa educação a todas as pessoas. A união da população pode fazer do Brasil um país sem rédeas para crescer e aparecer no mundo. E comparando com os Estados Unidos, creio que lá existem mais oportunidades e melhores salários, mas as semelhanças também são grandes, como o senso de humor da população e o amor a música e festas. Com mais de dez anos de Brasil, ele já constatou a situação do negro no país. “Existe um grande número vivendo em péssimas condições de vida”, lamenta o músico. |
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Cabo Verde/Ceará
O estudante e modelo Alexis Andrade Monteiro, de 22 anos, deixou Cabo Verde, na África, para, inicialmente, morar em São Paulo. Os planos, porém, mudaram quando ele esteve de férias no Ceará, em 2002, em companhia da mãe e se apaixonou pelo clima e alegria do povo. “Me senti maravilhado por esse Estado”, confessa. Morando em Fortaleza há 3 anos e meio, Alexis encontrou na cidade um ótimo ambiente para estudar - atualmente, ele cursa o último semestre do curso de Analista de Sistemas na Faculdade do Nordeste (Fanor) - e trabalhar. “Já fiz desfiles, eventos, fotos e propagandas de TV”, conta, orgulhoso. Como destaque, ele cita o concurso Beleza Negra de Fortaleza, realizado em 2007, quando ganhou o primeiro lugar. “Aqui no Ceará tem uma carência de negros tão grande que as pessoas nos estranham, então esse concurso tinha o objetivo de resgatar os negros daqui, que se escondem da sociedade”, relata o cabo-verdiano. Trocar um arquipélago de dez ilhas vulcânicas por um país imenso como o Brasil não fez com que o modelo se sentisse longe de sua terra. O clima de Cabo Verde (tropical seco) é bem parecido, a culinária e o gosto pelas festas, praias e surfe, também. Para ele, apenas em relação à cultura é que as coisas ficam mais distantes, mas nada que o faça pensar em voltar tão cedo para sua terra natal. “Adoro o meu país e a África em geral, mas se conseguir uma oportunidade de trabalhar aqui e crescer profissionalmente, gostaria muito de ficar por mais uns anos”. Como fator negativo, apenas o racismo tira o modelo do sério, coisa que presenciou nos dois países. “Mas a discriminação começa por nós mesmos. Aquela velha frase que diz que o negro é o principal e o primeiro racista da sua própria raça é verdade. Temos que parar de ser frágeis, nos impor mais para não sermos discriminados.”
“Aqui no Ceará tem uma carência de negros tão grande que as pessoas nos estranham, então esse concurso tinha o objetivo de resgatar os negros daqui, que se escondem da sociedade”
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