Perfil << Home
Envie para um amigo Imprimir
  Jéssica Barbosa
"Ser brasileiro é ser negro"

por Amilton Pinheiro | fotos Rafael Cusato

E, portanto, com a sua ancestralidade...
Exatamente! não importa se você acredita ou não nos orixás. É parte do conhecimento da nossa cultura. escuto umas coisas absurdas por aí, como, por exemplo: "Você não é negra porque tem os olhos claros. Negro é empregada doméstica, segurança. Você é atriz"... Camila Pitanga não é negra, porque não tem os traços de negro? Gente, quem é o pai da Camila? Negro não é só pela estampa. Ser negro não é só a cor da pele, não é só a raça, não é só a classe. Ser negro está vinculado com a sua cultura. Ser brasileiro é ser negro. Isso passa pela questão da representação do negro na nossa sociedade. O negro é mostrado, na maioria das vezes, numa situação desfavorável e negativa. Uma coisa importante no filme Besouro é que nele o negro vai poder se ver, se orgulhar. Não tem essa de mostrar de forma folclórica a capoeira e os orixás. espero que o filme possa ajudar as pessoas a conhecer melhor a nossa cultura e a nossa religião, que elas se mobilizem e se interessem para estas questões, que o negro se veja.

Mas é um filme de ficção?
Acho que a questão da fantasia é importante. Mesmo num país que lê pouco, as pessoas têm suas fantasias e imaginação. É cinema, é ficção, não é documentário. Esse filme é uma ficção baseada numa história real, então, não tem problema nenhum em colocar dados ficcionais. Ao mesmo tempo em que você tem essa figura (o capoeirista Besouro) que existiu, que está nos sambas e nas músicas de capoeira, você tem a fantasia sobre a vida dele. É muito legal misturar isso tudo.

Você acha que o cinema nacional, depois da retomada, vem mostrando a diversidade da cultura negra e o papel que o negro está conquistando na sociedade?
O negro ainda aparece pouco e quando aparece é mostrado num papel de favela, de pobre, de bandido. Existem esses estereótipos! A gente vê pouco negro fazendo o papel de um médico, por exemplo. Acho que é muito importante dar essa imagem de referência. Tem que mostrá-lo numa posição de destaque para que o povo negro possa ver essa possibilidade na vida. O negro precisa se identificar com a história dele e se orgulhar dela. Falta isso na televisão e no cinema.

O que está faltando para que isso ocorra?
O negro tem que conhecer e entender sua origem, sua identidade, saber o que é candomblé, como é sua cultura, enfim conhecer sua história. Por que a nossa situação é assim. A gente tem muito que discutir, muito que entender, que estudar, muito que aprender. Dessa maneira podemos melhorar a nossa autoestima e perceber que podemos ocupar outros espaços na sociedade, voar mais alto. Falta a referência boa do negro paro o negro.

PÁGINAS :: << Anterior | 1 | 2 | 3
Na capa :: ed 111
Afros sim, e com muito estilo
Beleza :: ed 114
40 dúvidas que não saem da sua cabeça
Movimento :: ed 140 - 2010
Jamaica, a família

Na capa :: ed 140 - 2010
O jornalista André Rezende, editor-chefe da RAÇA BRASIL, e o fotógrafo Rafael Cusato estiveram em Minas Gerais para conferir de perto a transformação social que o projeto Vozes do Morro está fazendo na região metropolitana de Belo Horizonte
Reportagem :: ed 140 - 2010
Economia criativa
Gente :: ed 140 - 2010
Ator reality

 
Quero Assinar
Comprar esta edição
Ver Edições Anteriores
 












BUSCAR!

 
Assine Atrevidinha
 

No passo do frevo
Seria o frevo o jazz brasileiro ou o jazz o frevo norte-americano? Quem sabe?

 
Prontos para o altar
Os noivos são naturalmente o centro das atenções e não precisam de muito para arrancar elogios


  ContentStuff - Sistema de Gerenciamento de Conteúdo - CMS