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Cabelereiros
  Beleza rara
O mercado de beleza e estética está acolhendo de braços abertos os afrodescendentes. A sociedade está deixando o preconceito de lado - pelo menos quando o assunto é vaidade

por Anderson Fernandes | fotos rafael Cusato
Kaká Santos, 12 anos fazendo a cabeça das mulheres

"Lógico que atendíamos as mulheres brancas, mas as negras tinham um tratamento especial . Isso porque na França eu desenvolvi técnicas de trabalho com o cabelelo crespo"
Hair stylist João Pedro, do tradicional salão Afonjá

Para mostrar o sucesso de cabeleireiros e maquiadores negros, reunimos alguns profissionais que apontam como o cenário mudou ao longo dos anos, enaltecendo as superações e vitórias e esclarecendo as dificuldades. Há um grande otimismo para quem deseja trabalhar neste mercado, pois cada vez mais pessoas buscam um tratamento personalizado e adequado ao seu perfil de cabelo e pele.

Após uma viagem à Europa, o hair stylist João Pedro voltou fervilhando de empolgação e montou o primeiro salão de beleza voltado para as mulheres negras, o tradicional Afonjá, localizado no Rio de Janeiro. A ideia visionária deu mais do que certo.

São mais de 30 anos de serviços prestados e clientes famosas como Taís Araújo e Valéria Valença. "Lógico que atendíamos as mulheres brancas, mas as negras tinham um tratamento especial. Isso porque na França eu desenvolvi técnicas de trabalho com o cabelo crespo. A elite negra procurava o meu salão. Advogadas, empresárias, artistas, todas queriam um atendimento personalizado", conta João, ressaltando que foi na última década que o negro despontou como profissional dentro dos salões de beleza.

O preconceito, no início, era grande. Existiam salões que não contratavam profissionais negros porque as clientes não gostavam. Ele endossa o coro que diz que o preconceito, hoje, existe em nossa sociedade, mas de uma forma disfarçada, além de recordar que realizou diversas produções para a RAÇA BRASIL, inclusive nas primeiras edições. "Foi ela que abriu espaço para a visibilidade da beleza negra no nosso país", conta, orgulhoso.

Make baiano

Na opinião de Luis Carlos de Jesus Monteiro, do prestigiado salão Jacques Janine do Shopping Iguatemi, em Salvador, na Bahia, ao longo da década o preconceito sofreu mutações, mas não deixou de existir. Segundo ele, se antes era mais visível, hoje ele é camuflado.

"Tenho diversas clientes brancas que não têm esse tipo de problema, entretanto existem aquelas que se fazem de amiga, me cobrem de elogios e que, no final das contas, procuram por um profissional de pele clara. São as pessoas que querem parecer moderninhas, mas que continuam com preconceitos antigos", declara.

Com dez anos de profissão, ele acentua que realmente é preciso um maior cuidado com a pele negra e que, em geral, nenhum curso proporciona a perspicácia que o profissional adquire com a experiência. "A maior vilã dos maquiadores que estão trabalhando em uma pele negra é a oleosidade. Se o profissional não souber usar a maquiagem certa na dosagem correta é muito provável que a pele fique esverdeada. Pele negra exige muita atenção", explica Luis, que por muitas vezes usou a revista como referência para montar looks ou preparar um make novo e ousado.

"A maior vilã dos maquiadores que estão trabalhando em uma pele negra é a oleosidade"

"EU TRABALHO EM CABELOS AFRO E CABELOS LISOS, BRANCOS E NEGROS, EU NÃO OS DIFERENCIO. A VERDADE É QUE OS NEGROS PROCURAM PROFISSIONAIS NEGROS PARA CUIDAR DA BELEZA, PORQUE ACREDITAM NO PODER DA EMPATIA"

 

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