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Loalwa Braz
  Memórias de Loalwa
Ex-vocalista do grupo Kaoma - sucesso mundial nos anos 1990 com a lambada - relembra fatos marcantes de sua vida e carreira

por Amiltom Pinheiro
 foto Rafael Cusato

Loalwa Braz, então com 17 anos, era crooner de uma banda que se apresentava nos clubes grã-finos do Rio de Janeiro. Certo vez, saiu radiante do bairro de Jacarepaguá, onde nasceu e se criou, para cantar no Iate Clube da cidade. Preparou-se muito para isso, contou para toda a família, vizinhos e amigos sobre o baile. Porém, ao chegar lá, um dos funcionários a mandou entrar pelo portão dos fundos, destinado aos empregados de serviços gerais. Surpresa com a atitude, Loalwa disse que era a cantora do grupo que se apresentaria naquela noite. Ninguém acreditou! "Percebi que estava sendo discriminada por ser negra e pelo meu estilo. Sempre tive orgulho da minha parte africana e de usar o meu cabelo natural, duro e esvoaçado. O funcionário pensou que eu era uma serviçal apenas pela minha cor e aparência. Comecei a chorar, mas mesmo assim insisti para entrar", conta. Dado por vencido, o funcionário finalmente a deixou passar pelo portão principal. "Isso já havia acontecido outras vezes comigo, mas nunca me esmoreci diante de nenhum preconceito, principalmente preconceito racial", esclarece Loalwa.

Antes mesmo de o grupo Kaoma estourar em Paris, em junho de 1989, a cantora já morava na Cidade Luz havia quatro anos, onde soltava a voz em festivais de jazz. Filha de uma pianista e de pai chefe de orquestra, sua formação musical era clássica e também popular, tanto que os amigos se assustaram quando ela se interessou pelos testes para ser vocalista de um grupo de lambada. "Falaram que eu não devia fazer aquilo, pois eu cantava música de qualidade, como o jazz. Eu que nunca tive frescura em relação a isso, não pensei duas vezes", conta. A seleção, porém, exigia mulheres com no máximo 25 anos. Loalwa estava com 32 na época. "Fui a primeira a fazer o teste e logo percebi que gostaram de mim. Fui escolhida!". Com a vocalista, nasceu o grupo Kaoma que, em um curto espaço de tempo estourou em Paris e conquistou a Europa. Em pouco mais de seis meses o mundo inteiro já estava "dançando lambada". O grupo durou de 1989 até 1998, quando lançou o último CD na Europa. Mas Loalwa nunca parou e, sempre cantando em português, continuou levando o ritmo aos quatro cantos do mundo.

"Fiquei chocada com a indiferença dos negros ricos daquele país (zaire ), que passavam nos seus carrões como se não existisse toda aquela miséria em volta"

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