Pierre Verger
Entre a liberdade e a solidão No âmbito das comemorações do Ano da França no Brasil, nunca é demais falar do mais importante fotógrafo francês, pesquisador e etnólogo que aqui aportou e ficou
por Amilton Pinheiro
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| “Usando a própria impressão do livro: Que os Orixás ‘protegam’ Juan (com g mesmo). Verger fez essa dedicatória para mim. Uma pessoa que emanava serenidade e paz. Este retrato foi feito em 1992 na Pinacoteca do Estado de São Paulo. “ Juan Esteves, fotógrafo |
O que leva um homem a deixar sua família, sua região, seus costumes e se aventurar pelo mundo? A resposta passa necessariamente pela busca ao desconhecido, ao outro, ao que não se compreende e, principalmente, a si próprio. Tudo indica que o fotógrafo, etnólogo autodidata, pesquisador e “senhor do mundo” Pierre Verger deixou sua cidade de nascimento, Paris, depois da morte de sua mãe, Marie Adèle Samuel Verger. Entre os anos de 1914 a 1932, ele perderia, além da mãe, o irmão Louis (1914), o pai Léopold Verger (1915) e o irmão mais velho Jean (1929). De família burguesa, Verger não suportou viver na França após tantas perdas familiares e decidiu vagar pelo mundo sem destino e sem lembranças. Então, com 30 anos completos, colocou na cabeça que, se não morresse até os 40 anos, daria cabo de sua vida (em 1942, quando a data chegou, desistiu do suicídio ao ler A importância de viver, de Lin Yutang), mas sua trajetória seria longa e suas veredas seguiriam muitos lugares, cidades e países (o Brasil foi sua última estada, especialmente a cidade de Salvador. Nas suas andanças, teve como destino a liberdade e como porto a solidão.
| Sobre Pierre Verger, disse certa vez o artista plástico e fundador-presidente do Museu Afro Brasil, Emanoel Araújo: “(...) Um andarilho memorável. Um grande artista da luz, conhecedor profundo das manhas e artimanhas da fotografia. Instigante, esse Pierre Verger, esse africano, esse baiano, esse francês cartesiano, esse monge que habitava naquele seu pequeno mosteiro particular da Ladeira do Corrupio. Sua casa era um voto de pobreza. Seu quarto era sua sala de trabalho. Ali, um catre, uma pequena mesa e seus escritos, além de algumas esculturas africanas, eram tudo o que de material existia. Era mesmo uma casinha da Vila América”. |
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