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na pegada! | música
  A nova safra da Black Music
A música negra ganhou o mundo, algumas variações e muitos ídolos. Por aqui não foi diferente e, agora, uma nova geração de artistas brasileiros invade a mídia para mostrar o valor de um dos ritmos musicais mais admirados e lucrativos do mundo

por alexandre de maio

A black music começou a se destacar nas rádios na década de 1960 e logo ficou conhecida como Soul (alma), tamanha a intensidade com que as canções - de origem religiosa - eram expressas pela voz e pela dança. Com o passar dos anos, ganhou variações - funk, rhythm & blues, flash-back, charm e rap - e nomes como James Brown, Ray Charles, The Temptations, The Supremes, Aretha Franklin, The Jacksons Five e Marvin Gaye foram responsáveis pela difusão da Black Music.

Sucesso fonográfico, atualmente domina as vendas, a programação da MTV e as baladas em todos os cantos do mundo. O Brasil também produziu os seus ídolos. Tim Maia, Gerson King Combo, Jorge Ben Jor, Sandra de Sá, Tony Tornado e Jair Rodrigues transformaram o País em um grande celeiro da mais fina música negra, que se renova com o tempo, com propostas e posturas diferentes. Confira:

Hannah Lima
Belo visual, voz forte e discurso poderoso

a extrema beleza da cantora carioca não ofusca o seu talento e suas letras que, mescladas ao hip hop, trazem musicalidade e consciência, diversão e informação. Hannah, que diz se identificar com alicia Keys e ser grande admiradora de ícones como aretha Franklin e missy elliot, passando por Sandra de Sá e alcione, concorre este ano como melhor artista Solo Feminino no Prêmio HUTUZ, no rio de Janeiro.

Sua sensualidade natural passa longe de seu principal objetivo: a qualidade. nas ruas com o Cd Neguinha e com o som Essa é pra dançar - já bastante executado pelos dJs - Hannah começa a enxergar como o mercado funciona. "aqui os artistas de soul music e R&B são enquadrados nas categorias mPB e pop. isso é uma forma de afunilamento. nunca concorremos entre nós e não há pior forma de preconceito ou de se tentar excluir uma cultura do que a negação de seu nome, estilo ou raça", desabafa.

Questionada sobre o título do Cd, ela volta às origens, que sempre faz questão de preservar. "a minha intenção com o título Neguinha é de autovalorização dos meus antepassados e de algo que eu sou e que o negro sempre foi: ou desvalorizado ou questionado", explica.

Soul da rua
Dominando as pistas

O coletivo formado por D'max, Sequelle e Diamante vem produzindo músicas, artistas, baladas e colocando fogo nas pistas. O maior sucesso é Hey Girl, que tomou conta das casas noturnas e faz sucesso também na internet. David (D'max) começou em corais gospel e se tornou produtor musical. Leandro (Sequelle) é compositor, Mc e percussionista com uma trajetória por projetos de hip hop, música eletrônica - discotecagem - bandas de MPB, reggae e ritmos regionais brasileiros (percussão). Edgar (Diamante) se destacou pela dança com o seu grupo 7black.

Esse time da nova geração da black music nos ensina que hoje, para se alcançar um bom resultado, o trabalho do músico vai muito além do estúdio. "Não existe fórmula, mas ingredientes fundamentais como dedicação, amor, qualidade na produção, gravação e composição, correria em estar nos lugares, conhecer pessoas e muita paciência, que é o elemento mais difícil e importante", revela Sequelle. Vinda da periferia de São Paulo, a trupe faz sucesso em bairros nobres da capital paulista, como a Vila Olímpia.

O segredo? "Nós organizamos e formamos uma estrutura laboral similar ao funcionamento de uma empresa. Acreditamos que isso colabora na profissionalização do hip hop", analisa Leandro. Sempre antenados com as tendências, D'max comenta que a mistura de hip hop com house e rock são as novas vertentes da pista. Além da música, o coletivo Soul da Rua se preocupa muito com a dança, como revela Diamante. "Usher, Omarion, Chris Brown, a dança completa a música e a junção dos dois dá o resultado perfeito". Acesse: www.myspace.com/souldarua

Wesley Nóog
Samba-soul brasileiro: um estilo original

Uma das variantes da black music, o samba-soul, tem em Wesley Nóog um dos seus principais representantes. Com uma voz marcante e letras sofisticadas, ele alia sua musicalidade à parceria com movimentos populares fortes como a Cooperifa. Agora, com o disco Mameluco Afro Brasileiro, Wesley brinca com essa necessidade do ser humano de querer classificar tudo.

Filho de funcionários públicos, Ocimar Wesley Nogueira estudou Teologia e Música. Cresceu ouvindo os criadores do samba-soul como Tim Maia, Jorge Ben Jor, Cassiano, Carlos Dafé e Hildon, que sincretizaram a nossa música com o soul americano de uma maneira inusitada e inovadora. Desta forma, ele entendeu a importância da black music. "A música criada pelos negros nos Estados Unidos, Brasil, Cuba e outros países nos últimos 60 anos é uma das coisas mais inusitadas da história do Homo sapiens, pois é fruto da dor e do sofrimento imposto pela casta capitalista.

É um remédio para todos os males que dá força para continuar a caminhada", analisa o cantor e compositor. Outro ponto que faz a diferença na formação de Wesley é a sua ligação com os movimentos populares. "Estar ligado a estas iniciativas permite que eu tenha uma visão mais clara da realidade como também ter ações transformadoras que são negadas pela educação 'oficial' e, acima de tudo, exercer a minha função na história como artista cidadão, aquele que vai onde o povo está". No site www.mudacultural.com.br é possível fazer o download completo do álbum do artista.

JF
Hip Hop estilo Pop

Jorge Fernandes, ou apenas JF, traz uma proposta de show com apresentação de dançarinas, B-boys e muita performance no palco. Frequentador dos bailes blacks, fez parte da Companhia de dança do balé Stagium, viajou bastante e atuou em comercias de TV. Há vários anos é membro da Cia. Sociedade Masculina de Dança Contemporânea de São Paulo.

"Meu objetivo é fazer uma mistura do hip hop com o pop totalmente dançante, com o tempero da música brasileira", explica Jorge, que passeia pelo rap e pelo samba-rock em seus shows, cantando e dançando em performances que não são para qualquer um. JF também atuou no teatro, no coro da peça O beijo da mulher-aranha, de Wolf Maia. Em suas turnês, viveu dois anos fazendo show em Osaka (Japão) e Europa.

E, agora, com essa experiência lança seu primeiro álbum, JF, Apenas Diferente, com temas de baladas, alegria, diversão e festa. E o sucesso já está a caminho, pois três músicas do álbum - Não Pare, Swing da Nega e Não dá Mais - já estão tocando em várias festas Brasil afora. Para conhecer mais sobre o artista acesse: www.jfapenasdiferente.com

D'Black
Uma estrela que nasce

Em pouco tempo, Vinicius Cardoso, de 24 anos, estourou nas paradas de sucesso. Sua pouca idade esconde um grande profissional que canta, compõe, dança e também atua. E com esse perfil moderno, D'Black concretizou um sonho que começou quando ainda era criança: fazer da música o seu trabalho. Estudante de canto e piano na Escola de Música Villa-Lobos, foi como profissional de dança de salão que ele descobriu uma forma de continuar pagando os seus estudos musicais, dando aulas de dança de salão para crianças e aulas particulares de canto em sua casa.

Seu primeiro CD foi lançado em 2005, mas não alcançou grande repercussão. Em 2008, a história foi outra. O novo trabalho, intitulado Sem Ar, emplacou hits por todo o País. A faixa que dá nome ao CD foi um grande sucesso na internet mesmo antes do lançamento e ficou em primeiro lugar como a mais ouvida no principal site de MP3 da rede. Com mais visibilidade, emplacou a música Mais e Mais Amor como tema da novela Luz do Sol e, mais tarde, mostrou seu talento como ator em Vidas Opostas - ambas novelas da Record - e no longa-metragem Maré, nossa história de amor?, de Lúcia Murat.

Carioca criado em Jacarepaguá, D'Black é um artista completo que nunca desviou de seu objetivo principal: a música. "Aproveitei todas as oportunidades e amigos que a vida me ofereceu e o resultado da minha persistência está se concretizando a cada momento", afirma.

 

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