Bantu Tabasisa
África em São Paulo Por intermédio das artes plásticas, da dança e da "contação" de histórias, professor angolano vai fazendo sua militância e revela aos brasileiros algumas culturas do continente negro
por Oswaldo Faustino | fotos Rafael Cusato
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As mãos do professor Bantu reproduzem os rítmos Kikongo com kishatis (caxixis) e kingoma (atabaque) e pintam mulheres africanas como...
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Quem anda pelas ruas centrais da cidade de São Paulo se acostumou à presença de inúmeros homens e mulheres africanos. Em trajes típicos de seus países ou em roupas ocidentais, frequentam estabelecimentos comerciais e igrejas entre as avenidas Rio Branco e São João, e as galerias e bares das ruas Dom José de Barros, 24 de Maio, 7 de Abril e Barão de Itapetininga.
Caminhar por aquelas ruas é um excelente exercício para testarmos o nosso próprio preconceito, nossa tolerância ou a falta dela e nossa xenofobia, que é a resistência a costumes e pessoas originárias de outros países. Isso porque, por conta de alguns africanos que são flagrados pela Polícia Federal envolvidos com tráfico internacional de entorpecentes, todos os demais são olhados com desconfiança.
O que muitos não sabem é que as comunidades africanas existentes no Brasil, particularmente em São Paulo, se compõem também de profissionais de todas as áreas: médicos, economistas, advogados, artistas, religiosos, estudantes em programas de intercâmbio e uma quantidade sem-fim de refugiados políticos, como Bantu Tabasisa, 48 anos, em cujo passaporte consta a identificação de Maquese Antonio, seu nome de registro.
"Adotei meu nome tribal porque sou do grupo etnocultural bantu, que tem 400 subgrupos. Pertenço à tribo bakongo. Falo o kimbundo, de Angola, e o lingala, do Congo. Sempre que posso, me nego a falar as línguas dos colonizadores", explica.
No Brasil há 17 anos...
... casado com uma brasileira e pai de quatro crianças, ele se recorda dos conflitos entre partidários do Movimento Popular pela Libertação de Angola (MPLA) e os membros da União Nacional para a Independência Total de Angola (Unita). Apartidário, Bantu pintou retratos tanto de Kuangolo, comandante do MPLA, quanto de Jonas Savimbi, da Unita. "Os dois grupos lutaram para libertar o país quando era colônia portuguesa, mas depois da independência, em 1975, tornaram-se inimigos.
Quando parecia que viria a paz, no início deste século, iniciou-se outra guerra pela libertação de Cabinda, uma província angolana entre os dois Congos, de onde é extraído cerca de 65% do petróleo consumido por Angola". Para Bantu, essas guerras só interessam aos antigos colonizadores, que as patrocinam, por isso prefere não comentá-las. "Minha militância é pela arte, desde a década de 1980, em Luanda. Pintando, desenhando, contando histórias e também como músico em meu grupo de dança, que é formado por africanos de várias origens.
Apresentamo-nos até na sede da ONU, na Bélgica. Mostramos as belezas e diferenças culturais dos africanos, seja bakongo ou mumuila, do sul de Angola, da Nigéria ou da África do Sul. Gosto de retratar negros do mundo todo. Por isso pintei também, entre outros, o presidente Obama, a "Globeleza", uma criança negra nascida na Inglaterra e minha amiga congolesa que tem um salão de beleza em Paris. Somos todos africanos, mesmo na diáspora", comenta Bantu, com orgulho.
"Quero que as pessoas conheçam o povo africano como ele é realmente e não de uma maneira estereotipada "
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