Jair Rodrigues
70 anos em disparada!! Ele é conhecido pelo seu jeitão de menino sapeca e pela maneira inquieta de falar e gesticular. Paulista de Igarapava (nascido em 6 de fevereiro de 1939), Jair Rodrigues cantava desde menino, incentivado pela mãe, Conceição Rodrigues. Em 2009, ele comemora datas redondas e importantes. São 70 anos de vida e cinqüenta de uma vitoriosa carreira, repleta de saudosos amigos e, claro, regada pelo seu h
por AMILTON RIBEIRO | fotos DUDA COVETT
Você se descobriu cantor e o que fez para sobreviver antes de começar a ganhar dinheiro com música?
Desde menino eu sabia que ia ser cantor. As duas coisas que eu mais gostava na vida eram futebol e música, duas coisas que dão muito certo. Você não vê quase nenhum artista da bola que não goste de cantar e quase nenhum cantor que não goste de uma pelada. Desde menino eu sempre gostei de cantar. Até fiz parte de um coral de igreja quando tinha catorze anos. Quando precisei aprender uma profissão para sobreviver, escolhi a de alfaiate, gostava de costurar. Fui aprender o ofício na Alfaiataria Gazeta. O pessoal de lá gostava de cantar também (risos). E a minha mãe, Conceição Rodrigues foi minha maior fã, minha fonte, minha incentivadora. Desde que eu era menino, ela trazia as amigas para me ouvir cantar. Quando aprendi a profissão de alfaiate, fui trabalhar dentro de casa e foi ela quem me deu a máquina de costura, mas sempre dizia para eu escolher a música como profissão porque tinha sido um dom que Deus havia me dado. Nessa época ela falava de uma forma que, depois eu tirava um sarro dela: "Aí, meu filho, se você se dedicar à música com certeza vai dar para um grande cantor (risos)". Quando fui fazer meu primeiro show profissional como cantor em São Paulo, eu a levei e disse, em tom de gozação: "Aí, mãe, virei um cantor de verdade, mas não precisei dar não! (risos)."
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O que mudou desde então?
Quando comecei havia espaço de todos os lados, mesmo nas pequenas cidades do interior desse "Brasilzão". Quantas e quantas vezes eu saía por essas cidadezinhas cantando. Hoje ficou mais difícil. Em 1965 tínhamos o programa Fino da Bossa, na TV Record, que eu fazia com a saudosa Elis Regina e com os músicos do Zimbo Trio. Lançamos muita gente boa. Tinha também o Bossa Saudade e, além desses, os festivais (fala com muito entusiasmo). Foi ali que apareceu a música da minha vida, que me acompanha até hoje, que me liberou total e que eu gostava de cantar: Disparada (de autoria de Geraldo Vandré e Theo de Barros, que ficou em primeiro lugar no Festival da Record ao lado de A Banda, de Chico Buarque de Hollanda). Voltando a sua pergunta (risos). Então, dos anos 1980 para cá, tudo foi tirado dessa nova geração, que não nos ouve mais. O rádio não toca nossas músicas, e quando toca é só em horário impróprio, de madrugada. Aí, quem vai escutar?
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"É bom que se diga que eu comecei como crooner em São Carlos, interior de São Paulo, por volta de 1957. Eu não sou como jogador de bola que computa os seus gols até em peladas (risos)." |
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