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  "QUANDO VOCÊ É BOM, O POVO TE ADORA"
Depois de uma infância de percalços e do êxito como Farinha, ele deslancha e encara seu segundo papel televisivo na minissérie Amazônia

POR DENISE MOTA

Dentro de casa, ele é Antônio. Mussunzinho é da porta para fora. Aos quase 14 anos - que chegam em 3 de julho -, Antônio Carlos de Santanna Bernardes Gomes é um garoto alegre e sério; criança, jovem e adulto ao mesmo tempo. Para além do despojamento natural da adolescência, a simpatia e a facilidade para o humor que traz nas veias se destacam não só por causa do apelido herdado do pai mas porque o ar brincalhão permeia também o relacionamento com a família, com os companheiros de cena e com os parceiros de pelada, nas ruas de Nova Iguaçu (RJ) onde vive. Em seu segundo trabalho de ator na televisão, Mussunzinho é Dico, o menino do seringal de Amazônia - De Gálvez a Chico Mendes, minissérie que a Globo transmite até o começo de abril. Nessa como na outra produção da qual fez parte, a novela América (2005), a fada-madrinha do jovem talento é nada menos do que Glória Perez, autora das duas atrações. "Ela é o início de tudo", ele define. "A luz no fim do túnel." A frase pode parecer estranha na boca de um menino. Mas é que, apesar da pouca idade, a chegada à TV veio depois de muitas tentativas frustradas.

A grande chance surgiu, por fim, no meio de um turbilhão pessoal: aos 10 anos, o garoto deparou com a polícia na porta de sua casa ameaçando com o despejo, depois de um conturbado processo de aluguel e compra pelo qual passava a família. Sozinho com os dois irmãos mais novos, Antônio telefonou desesperado para a mãe, Maíra, que, do centro do Rio de Janeiro, onde tentava resolver a situação, lhe orientou: "Chame a imprensa". Ele chamou, e o caso aterrissou diretamente no programa de Sônia Abrão no SBT, onde o garoto e seu drama foram vistos por Perez, que o convidou para a novela das oito.

Maíra e sua família tiveram na imprensa uma aliada, mas a mãe do ator também já a conheceu como algoz. Enquanto vivia com Mussum, ela conta que freqüentemente as revistas de fofocas se ocupavam de fotografá-la em baladas nos momentos em que o humorista estava fora do Rio. "Todas as vezes em que eu saía à noite com minhas amigas, o pessoal me mostrava." Após o parto de Antônio - nascido "branco", como descreve Maíra - e com o antecedente das suspeitas de infidelidade que o humorista alimentava em relação à companheira, Mussum teria se convencido de que a criança não era seu filho. Nos meses subseqüentes, foi marcado um exame de DNA em uma clínica de Botafogo. Antes, no entanto - continua a contar Maíra -, o bebê, então com 3 meses e agora negro, já havia conquistado o humorista, que nesse momento passou a se ver plenamente refletido no garoto.

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