
A figura é exuberante e o vozeirão do tamanho daqueles que definem as grandes divas negras. O timbre grave, entretanto, está a serviço de um gênero musical que a artista – rejeitando rótulos mais batidos, como o que a liga a axé music – rebatizou de afropopbrasileiro. As canções que ela interpreta contagiam uma parcela do público idenidentificado como popular. Quem assiste a seus shows no Pelourinho, nas ruas de Salvador ou no lendário Teatro Castro Alves sabe do que estamos falando. Mas a carreira internacional iniciada há 17 anos pelas mãos do americano David Byrne e a disputa, em 2006, pelo Grammy Latino de Melhor Álbum de Música Contemporânea com o CD Pra Você, entram no currículo com o reconhecimento internacional e uma certa aura cult.
Para comemorar os 20 anos de estradada, essa baiana de 42 anos lançou ano passado – pela gravadora EMI – CD e DVD com o título de Margareth Menezes Brasileira – Uma Homenagem ao Samba-reggae. Produtos feitos sob medida para quem quer participar da festa de aniversário.
Assumindo as funções de empresária, produtora, além de agitadora cultural por excelência, a artista, na fase atual, mais uma vez arregaça as mangas para dar mais gás à sua carreira. Acostumada a superar desafios, Margareth, que ficou oito anos sem gravar – de 1995 a 2002 –, reconquistou seu lugar no mercado fonográfico. “Eu vim e estou aí. Todo o espaço que eu estou conseguindo hoje é por conta de uma luta pessoal muito grande”, constata. Valeu a pena o esforço. Hoje a cantora tem seu nome consolidado no cenário da MPB, onde se sente “agraciada” e “com credibilidade”, além de contar com sua própria estrutura empresarial que reúne uma central de produções artísticas e um selo, o Estrela do Mar. Com isso assina a produção de dois de seus CDs e um DVD e, em parceria com a EMI, assina com sua equipe, seu último trabalho. Depois dessas conquistas, Margareth, que emplacou, ao longo dessas duas décadas, sucessos como Dandalunda, Faraó e Elejibô, entre outros hits, conta que tem novos planos, novas metas. A principal é a de apresentar-se formalmente ao povo do seu país.
Não entendeu? Ela explica: “O meu som tem uma linguagem nacional. Percebo isso nas minhas viagens pelo país e pela maneira com que venho sendo recebida em todos os lugares do Brasil.
Mas minha carreira tem uma característica bem interessante. O meu nome é bastante conhecido, mas a minha figura não. Então a gente vem tentando popularizá- la”, conta.
A missão de sair do “nosso Nordeste, da nossa Bahia”, onde debutou, no cenário artístico, em 1986, rumo a outros públicos e paisagens – “desse Brasil continental, com sua composição étnica e cultural maravilhosa”–, foi iniciada há quatro anos. “Quando não se tem muita oportunidade de freqüentar os programas de televisão nacionais, que ajudam a popularizar e projetar o artista, a gente precisa pensar em outras formas de atuação para tentar suprir isso”, explica, driblando ressentimentos, rejeitando lamúrias, apostando em si mesma e na força de sua cultura de origem. “A mídia é importante, mas costumo dizer que quem vive de televisão é o dono dela. A gente vive mesmo é dos shows. O que faz o artista é o tête-à-tête com a galera”, ensina.
PÁGINAS :: 1 | 2 | Próxima >>