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  Papéis trocados
Depois de Cidade de Deus, Leandro Firmino da Hora e Phelipe Haagensen voltam a atuar juntos, em Vidas Opostas, na TV Record

POR DENISE MOTA FOTOS: BRUNO CASTAING PRODUÇÃO: BARBARA LOPES

Um era o boa-praça. O outro, o diabo. Um era simpático, planejava abandonar a criminalidade, constituir família e ter uma casa no campo. O outro, nada sociável, ambicionava prosperar infinitamente no reino da cocaína e adquirir controle total do tráfico no Rio de Janeiro. A dupla – formada pelos opostos complementares Bené e Zé Pequeno, famosos em Cidade de Deus (2002) sob a interpretação de Phelipe Haagensen e Leandro Firmino da Hora – está de volta às telas brasileiras. O cenário é, novamente, a favela. Mas, se parece tudo igual, agora a história acontece na TV, e não no cinema. Haagensen e Firmino também mudaram de canal, de visual e de papel. Em Vidas Opostas, novela da Rede Record que estreou em novembro, o malandro bonzinho que dançava funk no filme de Fernando Meirelles se transformou em um bandido “tolerância zero”, que não deixa lugar a dúvida já a partir do nome de guerra: Pavio. “Ele é bem pavio curto mesmo. Um cara muito chato. Gente ruim de verdade”, descreve Haagensen. Do outro lado da moeda, o cruel imperador de Cidade de Deus virou o esperançoso Sovaco, que reza por uma chance para abandonar a bandidagem. “O Sovaco é muito atual, gostei da possibilidade de fazer um jovem da comunidade com sonhos, alguém que se envolve no mundo do crime por falta de oportunidades”, explica Firmino. “Ele é bem mais tranqüilo [do que Zé Pequeno]. É um cara que gosta de samba, que quer sair do ambiente marginal.”

Os caminhos dos atores se cruzam também por trás das câmeras. Os dois desenvolvem projetos voltados ao universo de onde vieram, continuam a morar no mesmo lugar em que viviam antes do êxito de Cidade de Deus e a levar a vida que sempre tiveram, com a diferença de agora contar com respeito dentro e fora da “comunidade”, como se referem ao Morro do Vidigal e a Cidade de Deus, berços respectivos de Phelipe Haagensen e Leandro Firmino da Hora. Estão na TV, mas também com novos trabalhos em cinema. São amigos e durante toda a conversa que mantiveram com a Raça deixaram evidente a admiração que sentem um pelo outro. Além disso, ambos coincidem também no principal objetivo de suas vidas no momento: consolidar a carreira artística.

NAS HORAS VAGAS, CINEMA

Consagrado no Brasil e exterior

Aos 22 anos, o intérprete de Pavio se desdobra em trabalhos como modelo e, no cinema, recentemente deixou o universo da ilegalidade – reiterado por seu papel em Irmãos de Fé (2004), de Moacyr Góes, onde interpretava um assaltante – para viver um guia turístico no pacato Nordeste apresentado em Sonhos de Peixe, coprodução Rússia-Brasil-Estados Unidos. O filme, rodado no Rio Grande do Norte, foi exibido em outubro em São Paulo, dentro da seção Novos Diretores da Mostra Internacional de Cinema da cidade Depois do passeio pelas paisagens potiguares, o ator deve desembarcar no mundo romântico: está às voltas com outro convite cinematográfico para fazer uma espécie de Romeu e Julieta contemporâneo, projeto que ainda não está fechado e sobre o qual Phelipe mantém segredo.

Pavio e Sovaco: personagens

Leandro também se divide entre Vidas Opostas e projetos na tela grande, seu habitat preferido. Após Cafundó, longa de Paulo Betti e Clóvis Bueno, o ator se prepara para desempenhar um papel cômico na nova produção de Moacyr Góes. “Eu gosto mais de cinema, mas acho que tanto o cinema como a TV são boas opções para um ator. Essa é a primeira novela que faço. Estou à vontade, a equipe é muito boa, tudo é muito tranqüilo”, avalia. Tranqüilidade é um elemento que o ator dá muita importância, tanto no seu dia-a-dia profissional como nas escolhas pessoais. Agora plenamente convencido de que tem habilidades suficientes para ser ator, o intérprete de Zé Pequeno administra internamente o elevado grau de auto-exigência que se impõe: “Eu me cobro bastante, mas aprendi a relaxar”. Parte desse exercício de relaxamento transparece no seu flerte com a direção. Um Crime Quase Perfeito é o curtametragem de 20 minutos que realizou no ano passado com Luís Nascimento, sobre um médico que, sem saber a identidade de um paciente que lhe chega em crise de overdose, termina por negar atendimento à própria filha. Quando tiver mais tempo, Leandro planeja repetir o experimento. O ator está diretamente ligado à criação cinematográfica, já que é um dos integrantes da ONG Nós do Cinema, organização voltada para a formação audiovisual de jovens carentes do Rio de Janeiro .

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