Editora Escala
  Loja Escala | Faça sua Assinatura | Anuncie | SAC | 55 11 3855-1000    
Edição 105
 
Sumário da edição
Edições anteriores
Editorial
Cartas
Gente
Em Foco
Beleza
Cultura
Educação
Consulta
Endereços
Agenda
Em Questão
Fale Conosco
Assine já
Anuncie
Para cadastrados
Para assinantes
Na revista impressa


Especial criança
  Tempo de semear
Infância. Passa muito depressa esse tempo surpreendente, caprichoso, perigoso e o mais encantador entre todos que há. Por isso é tão importante disseminar as palavras educação, saúde e proteção em todas as línguas

POR ANA CAROLINA CARVALHO

FOTOS: UNICEF/BRZ/MILA PETRILLOMaria tem 2 anos e desde seu primeiro aniversário vai à escola. Lá, ela aprende que dividir é importante, que é preciso reciclar o lixo e outro dia começou as aulas de balé. Luísa também é uma garotinha esperta. Com apenas 5 anos, escolhe seus filmes prediletos e liga o DVD para assisti- los e já sabe bem o peso da palavra não. Henrique é um daqueles meninos atentos, que conjugam o verbo aprender 24 horas por dia. Com 3 anos, não pára de fazer perguntas – os famosos porquês –, freqüenta uma escola bilíngüe e revira todos os objetos da casa em busca de novidade.

Mas nem todas a crianças são assim. Se para algumas o mundo é encantado – as almofadas do sofá viram castelos, o lençol uma capa de super- herói e de panelinhas imaginárias saem comidas saborosas –, para outras a realidade passa longe da magia. Antes de perceberem que a infância pode ser deliciosa, quando a responsabilidade pesa pouco e o que vale mesmo é brincar, elas aprendem que precisam sobreviver. E a disparidade é clara: enquanto uma parcela dessa criançada armazena recursos para se tornarem cidadãos coerentes, éticos e responsáveis, outra mal consegue visualizar qualquer futuro. Elas pedem esmola no farol, são obrigadas a se casar quando deveriam brincar de bonecas, muitas não sabem o que é família porque já perderam seus pais por causa do tráfico de drogas e da prostituição, empunham armas e nunca entraram numa escola. Por causa desses pequenos – só no Brasil, cerca de 27,5 milhões de crianças vivem em situação de pobreza – o mundo todo se mobiliza para que eles tenham uma infância digna, com o mínimo de condição de vida e bem-estar, o que inclui alimentação e higiene adequadas, acesso à educação e aos serviços de saúde. Em 1989, 192 países ratificaram a Convenção sobre os Direitos da Criança e assumiram o compromisso de garantir a sobrevivência, o desenvolvimento e a proteção de cada menino e menina. De lá para cá muito já foi feito, mas ainda é preciso prestar mais atenção na garotada.

“A história mostra imensos avanços em favor da infância, porém ainda existem áreas nas quais há uma necessidade crucial de realização de progressos, como as crianças excluídas. Aquelas que não têm acesso adequado à educação, à proteção, às vacinas que salvam vidas. Apesar dos imensos esforços empreendidos para levar os serviços preciosos a todas as crianças, milhões delas ainda morrem a cada ano”, alerta Ann M. Veneman, diretora executiva do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef ).

Aqui, pensar nesses pequeninos é, mais do que nunca, cuidar do futuro do planeta. Não são apenas as crianças que não têm direito a uma identidade formal, que são vítimas de abusos ou que enfrentam casamentos prematuros que sofrem. Os países nos quais elas vivem também têm muita dificuldade para progredirem. É como uma bola de neve que não pára de crescer. Desnutrição, educação deficiente e doenças são fatores que perpetuam a pobreza, levam à instabilidade e podem transformar-se em violência. Nesse quadro, no qual poucas crianças desfrutam de uma infância alegre e saudável, vale a pena tentar prever o futuro – num exercício que não requer muito esforço.

Segundo estudos da ONU, se medidas de cuidados e proteção forem tomadas a tempo, até 2015 30 milhões de crianças que viveriam apenas até os 5 anos sobreviverão. Por isso, é tão urgente praticar as palavras educação, saúde e proteção em todas as línguas.

A ESCOLA QUE FAZ A DIFERENÇA

FOTOS: UNICEF/BRZ/MILA PETRILLOTer uma família carinhosa e acolhedora e freqüentar a sala de aula são coeficientes importantes que fazem com que a infância seja feliz. Quando eles não acontecem, o desenvolvimento infantil fica comprometido. E isso é muito comum. Várias razões tiram as crianças da escola: o trabalho infantil, os conflitos armados que destroem os sistemas educacionais, a violência, a miséria e a falta de atenção dos pais. No Brasil, os números mostram que a desigualdade social é uma das principais razões que impede que ela sejam matriculadas na pré-escola. Entre os 20% mais pobres, apenas 28,9% dos pequenos que têm até 6 anos estão matriculados e entre os 20% mais ricos, mais da metade das crianças nessa faixa etária recebe essa atenção. O acesso à educação faz toda diferença. Estudos realizados por psicólogos, professores, pediatras e outros especialistas confirmam que o desenvolvimento cognitivo nessa fase da vida tem impacto decisivo no futuro. É durante esses anos que o cérebro começa a ganhar contornos mais formados – a estabilidade emocional, por exemplo, é muito influenciada pela maneira como o cérebro amadurece até os 2 anos – e os pequenos elaboram suas impressões sobre o que é viver. Até os 4 anos, a criança já atingiu metade do potencial mental que terá quando adulta. Aos 6, também já estão formados os contornos mais amplos de auto-estima, senso de moralidade, responsabilidade, empatia, relacionamento social e aspectos fundamentais da personalidade. “Além de tudo isso, as crianças que convivem com outras crianças se relacionam com o mundo de maneira diferente daquelas que só convivem com adultos. Elas aprendem a negar, dividir e aceitar”, diz Helena Oliveira da Silva, gerente de projetos do Unicef.

PÁGINAS :: 1 | 2 | Próxima >>

Faça já sua busca no site da Raça Brasil
Cadastre-se já no boletim da revista
Raça Brasil.
Serviço gratuito!
 


   

Editora Escala
  Loja Escala | Faça sua Assinatura | Anuncie | SAC | 55 11 3855-1000