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Exposição
  Gênio criativo
Dotadas de teatralidade, as esculturas de Aleijadinho são reconhecidas no exterior pelos traços faciais dinâmicos e caráter marcante

POR FRAN OLIVEIRA

FOTO: JUNINHO MOTTAO escritor Roberto Pompeu de Toledo, em seu livo A Cultura e Opulência no Brasil, publicado em 1711, escreveu que o fim do século 17 assinala uma virada decisiva na história do Brasil. Estando a prear índios em sertões distantes numa colina de nome Tripuí, um mulato cujo nome não foi registrado para a posteridade chegou a certa altura das margens de um riacho e dele se aproximou para colher água. Mergulhou a gamela e ao recolhê-la de volta, viu que haviam depositado nela pedrinhas da cor do aço. Era ouro.

Em 1738, ano em que nasceu Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, as minas de ouro ainda generosas propiciavam um crescimento extraordinário em todas as comarcas de Minas Gerais, particularmente em Ouro Preto. Filho do arquiteto português Manuel Francisco da Costa Lisboa com uma de suas escravas, Isabel, Aleijadinho fez sua primeira obra aos 19 anos. No ano de 1796, ele inicia o trabalho das 64 figuras em cedro, em tamanho natural, dos Passos da Paixão, para as seis capelas da Via Crucis no Santuário do Senhor do Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas do Campo, uma tarefa que durou três anos. Entre 1800 e 1805, concebe e executa as imagens dos 12 profetas em pedra-sabão para o adro da igreja. Ao final da vida, ainda trabalha em ritmo intenso, quando perde quase completamente a visão, em 1812, e deixa sua oficina. Morre dois anos depois, em 18 de novembro de 1814, deixando uma obra de caráter expressivo de suas esculturas, atribuído à influência da cultura africana por parte de mãe, que transcendeu a formalidade da escola européia.

"Trezentos negros nas catas, mal a manhã principia. Grossas mãos entre o cascalho, pela enxurrada sombria"
CECÍLIA MEIRELES, POEMA OURO FALA

FOTO: VICENTE DE MELLOE é essa obra que o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), sob curadoria do crítico de arte Fábio Magalhães, apresenta ao público com a exposição Aleijadinho e Seu Tempo - Fé, engenho e arte.

Em cartaz no Rio de Janeiro até 11 de fevereiro de 2007. São 208 itens originais do Barroco mineiro - estatuária, objetos sacros, oratórios, desenhos, mapas, peças de ouro e fotografias - distribuídos em onze módulos. "Nenhum movimento artístico europeu floresceu tão bem em nosso país como o Barroco. Da Itália, o Barroco atravessou o Atlântico e fez do Brasil, berço esplêndido, e de Minas Gerais, seu receptáculo soberano. Mostrar toda a pujança do gênio criativo e transgressor de Aleijadinho e o mundo em que viveu é dar visibilidade e acesso a todos ao que melhor existe em termos de arte e cultura", avalia Marcelo Mendonça, diretor do CCBB.

Aleijadinho é considerado, no mundo, o Michelangelo do Brasil e comparado aos grandes mestres italianos por produzir obras-primas do Barroco sem nunca ter saído de seu país.

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ALEIJADINHO E SEU TEMPO

Centro Cultural Banco do Brasil RJ Em cartaz até 11 de fevereiro de 2007 Terça a domingo, das 10 às 21 horas Entrada franca

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