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  È hora de apostar no bem

FOTO: MÁRIO LEITENovembro. Mês da Consciência Negra. Uma data a ser comemorada ou repensada? Passados 118 anos de abolição da escravatura ainda convivemos com muitos afro-descendentes excluídos da sociedade, outros tantos lutando bravamente para conquistar o primeiro emprego, a vaga na faculdade, a tão sonhada promoção no trabalho. Por vezes, ainda temos que discutir a importância das cotas.

O escritor e africanista Alberto da Costa e Silva na entrevista África para Crianças revela ser favorável a este tipo de ação afirmativa "ainda cônscio dos perigos que apresenta". Ele entende que "mais vale correr esses riscos do que deixar que continue sem mudança uma situação que compromete o nosso futuro". De fato, no campo da educação, precisamos mesmo modificar a estática porcentagem de 2% de negros que têm acesso à universidade.

Se o modelo americano de políticas de discriminação positivas, como insistem alguns, não nos serve, algo tem de ser feito para objetivarmos um horizonte melhor. Assisti há alguns dias, Manderlay - segundo filme da trilogia EUA - Terra de Oportunidades, do diretor Lars von Trier. No filme, os negros são mantidos em uma comunidade com rígidas normas. A história se desenrola de maneira surpreendente.

Não vou contar porque recomendo que assistam. Mas o que mais me impressionou foi a divisão das pessoas em sete grupos: os agressivos, os fracassados, os palhaços, os amáveis, os tagarelas, os resmungões e os arrogantes. Esses últimos recebiam uma porção menor de comida nas refeições para terem as forças suprimidas. Em qual deles podemos nos espelhar? Será que às vezes não somos agressivos e brigamos sem termos razão e colocamos toda a culpa no preconceito? Claro que estes perfis são inerentes ao ser humano, independentemente da etnia, mas vale a pena refletir se não estamos na contramão da nossa vida. O racismo, como teoria da superioridade da "raça branca" sobre "as outras", foi criado para justificar a escravidão negra. Afinal, é mais provável que o negro, a mulher, o homossexual, sem consciência sintam culpa pelo que são do que enxerguem o erro na perseguição que vem da sociedade. A tendência é assumir a inferioridade que lhes atribuem e justificar a discriminação.

É hora de apostar no bem. A reportagem Responsabilidade Social, de Marco Merguizzo, exemplifica isso de forma clara e objetiva. Ações como as de Luciano Huck, do Instituto Criar, Denise Aguiar, da Fundação Bradesco, e Flavio Pimenta, do Meninos do Morumbi, têm como objetivo uma socidade mais justa por meio de projetos socialmente responsáveis. Sem mais discursos, caro leitor, proponho que você adote atitudes positivas para lhe ajudar a ver a vida com outros olhos. Comprove isso lendo a matéria Vá a luta! Sua avó não está mais na senzala.

Bem vou ficando por aqui, valeu Zumbi!

 

LILIANE SANTOS
- Diretora Geral lilianesantos@simbolo.com.br

Cenas de Manderlay

Ótimo filme do cineasta Lars von Trier. Um convite à reflexão

 

 

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