Editora Escala
  Loja Escala | Faça sua Assinatura | Anuncie | SAC | 55 11 3855-1000    
Edição 102
 
Sumário da edição
Edições anteriores
Editorial
Cartas
Gente
Em Foco
Beleza
Cultura
Educação
Consulta
Endereços
Agenda
Em Questão
Fale Conosco
Assine já
Anuncie
Para cadastrados
Para assinantes
Na revista impressa


especial
  10 anos de muita RAÇA

CENA 1 Era o ano de 1915. Nem bem o século tinha começado, e lá estava a primeira geração de descendentes de escravos lutando, na cidade de São Paulo, para criar os primeiros jornais para os "homens e mulheres de cor" brasileiros. Para conversar, discutir, se divertir, os afro-brasileiros daqueles tempos se reuniam nos "clubes de preto", nas "associações dançantes" da cidade. Foi lá que surgiram os primeiros jornais da imprensa negra. De O Menelick, editado em 1915, ao O Clarim da Alvorada, de 1963, passando pelo O Xauter, O Getulino, A Princesa do Norte, entre vários outros títulos , os jornais negros tinham pequena tiragem e duração precária. Festas, aniversários, acontecimentos sociais, reivindicações e protestos dos negros paulistanos era o que se encontrava nos primeiros números da nossa imprensa. "Esse jornal surgiu para alfinetar os negrinhos e negrinhas brasileiros", dizia o provocante slogan de O Alfinete, em 1919, advertindo os leitores contra as práticas boêmias e o analfabetismo. Eram os negros culpando a si próprios e buscando sozinhos a solução para os dilemas da exclusão e do racismo.

CENA 2 Grande São Paulo, setembro de 1996. Lágrimas, risos, surpresa e euforia. Nas bancas de jornais e revistas da cidade, os afro-brasileiros recebiam a primeira edição da revista Raça Brasil. O sucesso foi tanto que os 200 mil exemplares da tiragem inicial se esgotaram nas bancas. "Todos os meses, Raça Brasil vai falar de nossos problemas e apresentar soluções. Vai ajudá-lo a se cuidar melhor, a viver com mais alegria e segurança. Vai também discutir nossa identidade, resgatar nossa herança cultural e mostrar que a negritude é alegre, rica, linda", dizia o editorial. De lá pra cá, lá se vão dez anos, 102 edições, centenas de reportagens nas quais dezenas de jornalistas e editores buscaram cumprir a promessa. Os principais nomes e acontecimentos ligados à negritude brasileira estiveram em nossas páginas. Procuramos dar-lhes visibilidade, discutir, fazer refletir e transformar. Os jornalistas da velha imprensa negra, entre 1915 e 1963, tentaram, por meio de 36 títulos de jornais e revistas, retratar os fatos sociais de entidades e agremiações em sua luta pela dignificação da raça. Se estivessem aqui, com certeza iriam comemorar.

FOTOS: SÍMBOLO IMAGENS, DIVULGAÇÃO E ARQUIVO PESSOAL

TRABALHO - LUTA, SUOR, E A HISTÓRICA DESIGUALDADE!

Em1996, as relações entre raça e trabalho mantinham suas características históricas. De acordo com boletim do Dieese, publicado naquele ano, a proporção de pretos e pardos ocupados era maior no setor agrícola, construção civil e prestação de serviços. Entre os que faziam serviços domésticos, 13,7% eram pretos, 9,6% pardos, contra 6,3% de brancos. Os dados da PNAD, IBGE, por sua vez, apontam que, durante a década de 90, na região Norte, as meninas afro-descendentes representaram 68% a 73% da massa de trabalhadores infantis domésticos, e no Nordeste o percentual ficava entre 74% a 80%. "O aspecto mais perverso da discriminação no mercado de trabalho se dá nos processos de promoção ou mobilidade para cargos de chefia, liderança ou comando, que têm maior responsabilidade, visibilidade e remuneração", acrescenta Mércia Consolação Silva, socióloga e consultora do centro de Estudos da Relação Trabalho e Desigualdade Racial. A fundação, em 1995, do Instituto Sindical Interamericano pela Igualdade Racial foi um dos avanços desta década. Composto por três centrais sindicais brasileiras (CUT, Força Sindical e CGT), pela Central Norte Americana e pela Organização Regional Interamericana, o órgão trouxe uma maior divulgação e intercâmbio de informações sobre a questão racial e o trabalho entre os povos das Américas. "Quanto mais nobre o trabalho, menor a representação de negros e pardos", sinaliza Neide Aparecida Fonseca, presidente do Inspir. Para reverter o quadro, cresce o número de afro-brasileiros que vêm se organizando como empreendedores. No Rio de Janeiro, o Centro de Articulação das Populações Marginalizadas criou o Fundo Afro, projeto de manutenção de redes solidárias de empreendedores sociais que beneficia 90 comunidades. Já a Incubadora Afrobrasileira, criada pelo Instituto Palmares de Direitos Humanos ganhou, ano passado, o prêmio Marketing Best de Responsabilidade Social por apoiar os negócios de mais de 450 pequenos empresários negros.

FOTOS: SÍMBOLO IMAGENS, DIVULGAÇÃO E ARQUIVO PESSOAL

PÁGINAS :: 1 | 2 | 3 | 4 | Próxima >>

Faça já sua busca no site da Raça Brasil
Cadastre-se já no boletim da revista
Raça Brasil.
Serviço gratuito!
 


   

Editora Escala
  Loja Escala | Faça sua Assinatura | Anuncie | SAC | 55 11 3855-1000