Editora Escala
  Loja Escala | Faça sua Assinatura | Anuncie | SAC | 55 11 3855-1000    
Edição 101
 
Sumário da edição
Edições anteriores
Editorial
Cartas
Gente
Em Foco
Beleza
Cultura
Educação
Consulta
Endereços
Agenda
Em Questão
Fale Conosco
Assine já
Anuncie
Para cadastrados
Para assinantes
Na revista impressa


  Ensaio MV Bill e Depoimentos

DEPOIMENTOS
“Nunca um cd de hip hop deixou tão claro para a sociedade, interessada em música ou não, a real e original função do rap: ser uma crônica musical da vida na favela. Ouvir O Bagulho é Doido, o novo trabalho do rapper MV Bill, equivale a assistir àqueles filmes de ficção científica, onde, por uma artimanha tecnológica qualquer, um personagem pode ver e experimentar o mundo atrás dos olhos de outro. Só que aqui, a viagem não é ficção. Quando você tiver que baixar o volume do som do carro e abrir a janela para dar uma esmola ao garoto malabarista, vai dar de cara com a vida real! E nesse momento, talvez entenda que esse cd é a trilha sonora de um mundo real que, por uma mistura de conveniência e medo, a maioria de nós insiste em não ver. A trilha sonora de um filme de terror, com muito tiro e sangue, reprisado diariamente nas favelas sempre perto de você!

Logo nas primeiras batidas da faixa O Bagulho é Doido, a perfeita mistura de ritmo e poesia escancara as portas da periferia e revela o jogo trágico de um sistema ancestral que sempre legitima o ponto de vista dos vencedores. É reconfortante perceber que, para quem assistiu os trechos do documentário Falcão – Meninos do Tráfico, o cd não é, de forma alguma, uma redundância. Pelo contrário, é um mergulho vertical que cria emoções que só a música pode criar.  

Confira as fotos

Outro aspecto interessante do novo cd de MV Bill é que, por incrível que pareça, talvez seja o trabalho mais positivo do rapper da Cidade de Deus. Digo isso, porque o cd faz parte do projeto que inclui um livro e o documentário Falcão, cujos trechos chocaram o país no domingo, 19 de março de 2006, através de uma realidade deprimente e depressiva. Mesmo assim, MV Bill consegue resgatar momentos de descontração, como nas excelentes Junto e Misturado e Enquanto Eu Posso, sem perder a coerência.  
A verdade é que seria injusto destacar apenas a mensagem de O Bagulho É Doido, uma vez que existe nitidamente uma riqueza sonora especifica no trabalho de MV Bill. Algo que mistura influências de outras culturas (já que Bill não pára mais de rodar o mundo), pesquisa das raízes da MPB, e uma afirmação de uma malícia típica da periferia carioca. Em certos momentos, por exemplo, pode-se perceber o mesmo DNA sócio-musical de Arlindo Cruz e Dudu Nobre.  

Aliás, falando em descontração, vale atenção especial a uma faixa que já nasce clássica, Estilo Vagabundo. É o rap dando um passo além na tradição rhythm and blues dos duetos de casal. Só que, nesse caso, trata-se de um tremendo barraco, com direito a uma lavação de roupa suja sem precedentes, na voz de uma das boas novidades do disco, a irmã e rapper Kamilla, com quem Bill tem outras parcerias no cd”.

RAFAEL DRAGAUD - Roteirista e diretor de TV

PÁGINAS :: 1 | 2 | Próxima >>

Faça já sua busca no site da Raça Brasil
Cadastre-se já no boletim da revista
Raça Brasil.
Serviço gratuito!
 


   

Editora Escala
  Loja Escala | Faça sua Assinatura | Anuncie | SAC | 55 11 3855-1000