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| O rapper Rappin' Hood é paulistano do bairro do Limão e passou a infância entre as missas, em que era coroinha, os cultos evangélicos e os terreiros de candomblé. Aos 14 anos já freqüentava um dos mais tradicionais points de rap, a estação São Bento do metrô, local onde surgiram, entre outros nomes do gênero, Thaíde e Mano Brown. Nos anos 80, conheceu, ao mesmo tempo, o samba de raiz de Jovelina Pérola Negra, Fundo de Quintal e as atrocidades da desigualdade social. Nos anos 90, passou a integrar o grupo Posse Mente Zulu, com o qual tornou-se uma das principais "revelações" do rap nacional |
Nos últimos anos um termo tem andado em alta nos veículos de comunicação: responsabilidade social. Cada vez mais, empresas divulgam como parceiras ou mantenedoras de projetos com cunho social. Mas até que ponto isso tem mudado e trazido melhorias para algumas parcelas da sociedade brasileira? Essa e outras perguntas me fizeram refletir sobre o futuro do jovem negro no Brasil. Eu, particularmente, não gosto do jargão "excluído". Acho que a minha geração está mais para se incluir e conquistar os espaços que nos são devidos do que para ficar choramingando e pedindo esmolas. Porém, quero dividir com vocês leitores algumas conclusões. Depois de, aproximadamente, 20 anos de militância no hip hop nacional, para mim, parece impossível que o Estado cuide sozinho dos problemas que afetam o país.
É notório o crescimento de organizações não-governamentais e movimentos sociais como agentes transformadores preparados para produzir e difundir conhecimentos que promovam a melhoria da qualidade de vida para formar cidadãos competentes, com postura crítica, ética e humanista. É aí que a história começa a ser rescrita. Pela primeira vez, o povo brasileiro tem a oportunidade de dar novo impulso ao país. Sem dúvida, é chegada a hora de mudar muitas coisas relacionadas à sociedade negra brasileira.
'' O NEGRO JÁ
NÃO SE CALA.
GANHOU VIDA
PRÓPRIA, VIROU
REI E QUER
MELHORIAS PARA
SEU REINADO"
O meu conceito de responsabilidade social tem parada obrigatória em uma estação anterior: a responsabilidade racial. Muito se fala sobre o sistema de cotas.
Percebo que ele é necessário para reparar erros do passado. Então, que sejam bemvindas as cotas, que seja bem-vinda a reforma agrária, que sejam bem-vindas todas as reparações necessárias para melhorar a qualidade de vida de nosso povo e para elevar o país à condição de primeiro mundo. Isso não é um sonho. O Brasil é uma nação jovem. A população negra é muito grande. Por isso devemos nos preparar para concorrer no mercado de trabalho, nos vestibulares, nos esportes, na música e em qualquer setor para conquistarmos os nossos direitos.
A Terra Prometida está próxima. O negro já não se cala. Ganhou vida própria, virou rei e quer melhorias para seu reinado. Nossos ancestrais sorriem felizes e nos incentivam a buscar sempre mais. Estamos apenas começando. Bem-vindos ao século 21. Tempo de conquistas, em que o negro será livre por Zumbi, por Dandara, por Martin Luther King e por todas as crianças negras do país. Um abraço aos alunos da Universidade Zumbi dos Palmares e a você leitor. Fique na paz. Axé!